Descubra como uma técnica milenar se tornou ferramenta política e de memória, revelando a alma do Pará através de traços intensos e contrastes.
O traço que narra um território: A força do Nanquim Amazônico
Se você acompanha o universo das artes visuais e dos quadrinhos, sabe que o nanquim é um dos materiais mais icônicos da história. Mas, longe dos estúdios de comics tradicionais, uma vertente brasileira tem transformado essa tinta preta intensa em um manifesto de identidade: o Nanquim Amazônico.

Surgido em Marabá, no sudeste do Pará, o movimento também é conhecido como Nanquim de Marabá. A técnica não chegou à região por acaso; ela ganhou força através do talento de Augusto e Pedro Morbach (pai e filho), que introduziram e adaptaram o uso da tinta para a realidade local. O que antes era uma ferramenta da pintura tradicional chinesa, no Pará, tornou-se o pincel que desenha a complexidade da Amazônia.
Muito além do bico-de-pena
A popularidade do Nanquim Amazônico em Marabá está intrinsecamente ligada ao uso do bico-de-pena. Essa escolha técnica não é apenas estética; ela permite a criação de traços dramáticos e contrastes profundos, elementos essenciais para capturar a dualidade da vida na região.

Artistas renomados como Rildo Brasil e Jonas Barros, ao lado dos Morbach, consolidaram essa forma de expressão. Em suas obras, o nanquim deixa de ser apenas uma tinta para se tornar uma ferramenta narrativa. Os temas passam pela ocupação do território, a imponência dos rios e o cotidiano pulsante de quem vive e resiste no Norte do Brasil.

Arte, política e memória
O Nanquim Amazônico carrega uma camada de profundidade que vai além das galerias. Ele é definido como uma linguagem artística, histórica e política. Não se trata apenas de dominar uma técnica de desenho, mas de registrar uma memória visual da Amazônia sob a perspectiva de quem habita o território.
Como afirma a produtora Izabela Nascimento, esse movimento é a “Amazônia narrada por quem vive aqui”. No entanto, a preservação dessa história enfrenta desafios. Recentemente, a ausência de plataformas digitais que centralizavam esses acervos, como o antigo site “Nanquim de Marabá” (da Tukan Produções), acendeu um alerta sobre a necessidade de valorizar e difundir a arte paraense.
Para o público do HQPOP, o Nanquim Amazônico é um lembrete poderoso de que a cultura pop e as artes visuais são, acima de tudo, ferramentas para imortalizar nossa própria história. É o preto no branco desenhando o futuro de uma região que exige ser vista e compreendida.
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