O cartunista que revolucionou a sátira de escritório faleceu aos 68 anos. Conheça o legado e as marcas deixadas pelo polêmico criador de Dilbert.
O mundo da cultura pop e das tirinhas de jornal perdeu um de seus nomes mais conhecidos e controversos. Scott Adams, o criador do icônico personagem Dilbert, faleceu aos 68 anos em decorrência de um câncer de próstata que se espalhou para os ossos. A notícia foi confirmada por sua ex-esposa, Shelly Miles, em uma transmissão ao vivo no X (antigo Twitter) nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026.
Adams enfrentava um estado de saúde delicado, estando sob cuidados paliativos nos dias que antecederam sua partida. A doença, que o deixou paraplégico no último ano, deteriorou sua saúde rapidamente. Em um momento de vulnerabilidade no ano anterior, o cartunista chegou a comparar sua situação com a do ex-presidente Joe Biden, que também fora diagnosticado com o mesmo tipo de câncer.
O legado de Dilbert e a sátira corporativa
Lançado em 16 de abril de 1989, Dilbert tornou-se um fenômeno global ao retratar, com uma visão ácida e bem-humorada, a rotina exaustiva dos trabalhadores de escritório. O personagem, um engenheiro de 30 anos em uma empresa de tecnologia, ressoou com milhões de leitores que se viam presos em burocracias corporativas sem sentido.
A popularidade foi tamanha que a obra ganhou uma versão em desenho animado com duas temporadas, sendo exibida no Brasil pelo canal Fox Kids3. Scott Adams conseguiu transformar o cotidiano banal do cubículo em uma crítica social afiada que definiu uma geração de tirinhas.

Controvérsias e vida política
Apesar do sucesso artístico, a trajetória de Adams nos últimos dez anos foi marcada por posicionamentos políticos fortes e declarações polêmicas. Ele se tornou um comentarista conservador vocal, apoiando abertamente o presidente Donald Trump e questionando temas sensíveis como o Holocausto e a eficácia de vacinas.
Em 2023, o quadrinho “Dilbert” deixou de ser publicado em grandes jornais americanos, como o Washington Post, após Adams proferir falas racistas em seu podcast, o “Real Coffee with Scott Adams”. Mesmo com o isolamento editorial, ele manteve uma base fiel de ouvintes. Em nota oficial, Donald Trump lamentou a morte do artista, chamando-o de “um cara incrível” e um “grande influenciador” que lutou com coragem contra a doença.
A partida de Scott Adams encerra um capítulo complexo da cultura pop: o de um artista que soube como poucos ler a alma do ambiente de trabalho moderno, mas que terminou seus dias imerso em debates que dividiram seu público.
Para Adams, a vida no escritório era como um labirinto infinito de divisórias de plástico; ele foi o cartunista que, munido de uma caneta e ironia, tentou desenhar os mapas das saídas de emergência para todos os trabalhadores do mundo.




