Com estética futurista e “cosplay de revista”, projeto une veteranos da animação e do design para criar um vórtex de worldbuilding e crítica ácida.
O mercado editorial e artístico brasileiro está prestes a ser atingido por uma “ideia rebelde”. Batizado de Yuneik, o novo projeto liderado por Daniel Semanas não é apenas uma publicação convencional, mas um vórtex de conteúdo fictício que funde arte, literatura e design. Em um cenário de cultura pop muitas vezes saturado por fórmulas, Yuneik surge como uma proposta de worldbuilding visceral, simulando a edição 104 de uma revista de tendências vinda diretamente de um futuro próximo e conturbado.

Um livro com “skin” de revista
Diferente de qualquer artbook tradicional, Yuneik se apresenta como um “livro em cosplay de revista”. Sob essa estética, a obra entrega 120 páginas ultra coloridas, repletas de mais de 120 ilustrações originais e 19 artigos. O conteúdo é puramente especulativo: perfis de pessoas que não existem, reviews de gadgets e músicas nunca criados, e análises de eventos que ainda não ocorreram na nossa linha temporal.
A equipe por trás da obra traz um currículo pesado: Daniel Semanas (criador de Annabee e da graphic novel Roly Poly pela Fantagraphics), o escritor e worldbuilder premiado André ‘Sid’ Osna, e o designer Danilo Rodrigues, cujos créditos incluem o aclamado Spider-Man: Across the Spider-Verse.
A força da narrativa visual

A relevância de Yuneik reside na convergência de talentos que moldaram a estética visual contemporânea em gigantes como Nike, Google, Disney e Cartoon Network. Ao criarem um universo autônomo, esses artistas trazem a bagagem da indústria para um projeto independente e experimental. Em um momento onde a inteligência artificial domina as discussões sobre criação, Yuneik aposta na curadoria humana extrema e no design como ferramenta de resistência cultural.
Impacto no mercado e na cena cultural

Narrativamente, Yuneik constrói um futuro em ebulição, marcado por ondas de pandemias e a ascensão de governos dominados pelas Alpha-Corps — corporações que utilizam um design “sleek” (polido) para se prenderem ao corpo social como “lampreias num tubarão”. Essa crítica simbólica ao poder das Big Techs e ao design como ferramenta de controle coloca a obra em um patamar de ficção científica especulativa de alta relevância, comparável a obras que discutem o impacto da estética na política.
O que mais impressiona em Yuneik é a sua recusa em ser meramente contemplativo. Ao adotar o formato de revista, a obra subverte a passividade do leitor de livros de arte. É um projeto provocador que utiliza a beleza visual para entregar uma crítica ácida sobre a desumanização corporativa. A escolha da metáfora das “Alpha-Corps” como parasitas revela uma maturidade temática que vai além do “cyberpunk de neon”, focando em uma distopia de design e consumo que parece perigosamente próxima da nossa realidade.
O público deve ficar atento aos desdobramentos desse universo. Dado o histórico dos criadores com animação e RPGs, Yuneik tem potencial para transbordar as páginas do livro e se tornar uma franquia multimídia. O lançamento promete agitar a cena de publicações independentes e ditar novas tendências para o design editorial em 2026.
Em um mundo onde as corporações moldam nossos desejos através de telas polidas, Yuneik nos joga no vórtex da incerteza. Como diz o manifesto da obra: o que você vai fazer a respeito disso?
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