O capista David Aja deixou a nova HQ da AWA alegando que artes de Mike Deodato Jr. violam contrato; o desenhista nega as acusações.
O embate dos titãs: IA gera crise nos bastidores de Ultimate Oz
Uma polêmica que coloca frente a frente dois gigantes da indústria. O premiado artista David Aja anunciou sua saída do projeto Ultimate Oz Universe: The Lost Lands, alegando ter identificado o uso de Inteligência Artificial (IA) nas artes internas produzidas pelo brasileiro Mike Deodato Jr..
Aja, responsável pelas capas da série, foi incisivo em suas redes sociais ao afirmar que, embora o artista e a editora AWA neguem o uso da tecnologia, ele consegue reconhecer a interferência de ferramentas generativas por uma questão de ofício. Segundo o capista, o contrato previa explicitamente uma cláusula proibindo o uso de IA em qualquer parte da obra.

Inconsistências e o “olhar clínico” dos fãs
A acusação de Aja não surgiu no vácuo. A comunidade de leitores e outros profissionais da área já vinham apontando inconsistências visuais em painéis de Ultimate Oz. Relatos mencionam variações drásticas de estilo entre quadros, mãos com números errados de dedos e elementos de cenário que se fundem de forma anatômica improvável.


O artista Sean Northridge, que apoiou o projeto no Kickstarter, compartilhou comparações de páginas onde personagens e fundos mudam de composição sem justificativa narrativa. Outros criadores, como Gary Erskine, sugeriram que o volume de produção de Deodato e as variações de arte poderiam indicar o uso de um sistema de estúdio ou assistentes, mas o design de personagens como o Espantalho e o Homem de Lata acendeu o sinal de alerta para muitos.

Mike Deodato Jr. nega e defende o “suor do artista”
Do outro lado da disputa, Mike Deodato Jr. mantém uma postura firme de negação. O desenhista brasileiro, conhecido por sua longa e respeitada trajetória na Marvel e DC, afirmou categoricamente: “Eu não estou usando inteligência artificial”.
Como prova de sua integridade artística, Deodato tem compartilhado vídeos de seu processo de criação nas redes sociais, mostrando o desenvolvimento das páginas “do zero”. Em uma declaração emocionante, o artista defendeu que a arte exige alma, memória e emoção — algo que, segundo ele, nenhuma máquina pode replicar.
“Quando desenho um personagem rindo, eu me pego rindo também. O tempo desaparece”, afirmou Deodato, reforçando que cada traço em Ultimate Oz nasceu de sua própria dedicação e experiência de vida.
O futuro de Ultimate Oz e o mercado de HQs
O caso levanta uma discussão profunda sobre os limites da tecnologia e a transparência com o público. Enquanto alguns fãs buscam reembolsos no Kickstarter por se sentirem enganados pelas possíveis artes de IA, outros defendem o histórico de Deodato, que é conhecido por ser um “early adopter” de tecnologias digitais e referências fotográficas ao longo de décadas.

A editora AWA, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre as alegações específicas de descumprimento contratual citadas por David Aja. O que permanece é o debate: em uma era de transição tecnológica, como garantir a autenticidade do trabalho humano em uma indústria que valoriza, acima de tudo, o estilo e a identidade única de seus criadores?
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