Com a parceria da Cartooning for Peace, Blagnac se torna o epicentro do debate sobre democracia e o legado do espírito Charlie Hebdo em 2026.
O lápis continua livre: Blagnac celebra a coragem da charge em 2026
Entre os dias 7 e 31 de janeiro de 2026, a cidade francesa de Blagnac reafirma sua posição como um baluarte da resistência criativa. A terceira edição do evento “Libérons les crayons” (Libertem os Lápis) chega com a missão de transformar o traço artístico em uma ferramenta de debate cívico e coesão social.

Realizado em uma parceria estratégica entre o Conselho Departamental de Haute-Garonne e a renomada organização Cartooning for Peace, o encontro faz parte do programa Chemins de la République. O objetivo é claro: promover os valores da República e a laicidade através da lente crítica e, muitas vezes, ácida dos cartuns de imprensa.
Um legado de 11 Anos: o espírito de Charlie Hebdo

O evento de 2026 carrega um peso emocional e histórico significativo, marcando o 11º aniversário dos ataques ao jornal Charlie Hebdo. Nomes que se tornaram símbolos mundiais da luta pela liberdade, como Cabu, Charb, Tignous e Wolinski, serão lembrados não apenas como vítimas, mas como ícones da coragem editorial.
A exposição “Le dessin de presse dans tous ses États” (O desenho de imprensa em todos os seus estados) será o coração visual da celebração. Exposta nas grades do Collège Henri Guillaumet, em Blagnac, a mostra oferece um panorama global de artistas que, muitas vezes sob risco de vida, utilizam o humor para questionar o poder e defender as liberdades democráticas.
Educando o olhar: workshops para a nova geração
A programação não se limita à contemplação passiva. Estudantes das regiões de Auterive, Pechbonnieu e Blagnac participarão de workshops educativos inovadores. Com o apoio de cartunistas dos coletivos RABASTIGNOUS e da associação Dessinez, Créez, Liberté, os jovens aprenderão a decodificar como uma ideia se transforma em imagem e como a sátira pode ser uma forma poderosa de ler a realidade contemporânea.
A ideia é incentivar o pensamento crítico: entender que uma única imagem pode expressar uma opinião contundente e desafiar narrativas dominantes.
O que resta do “Espírito Charlie”?
Um dos pontos altos da agenda é a mesa redonda intitulada “Liberdade de expressão: 10 anos depois, o que resta do espírito Charlie?”. O debate mergulha nos desafios atuais enfrentados por jornalistas e cartunistas em um mundo onde a liberdade de imprensa frequentemente se vê sob ameaça.
Para os entusiastas da cultura pop e defensores dos direitos humanos, o “Libérons les crayons” prova que, mesmo uma década após a tragédia, o lápis permanece livre. O cartum de imprensa continua sendo um termômetro essencial para a saúde das democracias modernas, provando que o riso, além de terapêutico, é um ato político de resistência.




