Com roteiro de IA e vozes sintéticas, a adaptação do mestre do horror japonês gera polêmica e conta com o apoio de Junji Ito na divulgação.
O universo do horror japonês está prestes a ganhar um novo capítulo, mas de uma forma que promete dividir os entusiastas do gênero. O mangá “Living Corpse”, obra visceral de Hideshi Hino, será adaptado para o cinema, porém com um detalhe técnico que já desperta intensos debates: o longa foi produzido integralmente com o uso de inteligência artificial.
Com estreia marcada para julho, o filme de aproximadamente 70 minutos ostenta uma ficha técnica disruptiva. O roteiro é assinado pelo ChatGPT, enquanto as vozes dos personagens foram geradas por sistemas de IA que emulam os timbres de veteranos da indústria, como os atores Shigeru Saiki e Hiroshi Tamura. Apesar das referências vocais japonesas, a produção confirmou que todos os diálogos serão em inglês.
A direção está a cargo de Takeshi Sone, cineasta que já possui experiência no nicho de produções automatizadas, tendo dirigido anteriormente o projeto “GenerAIdoscope” (2024). A produção fica sob a responsabilidade de Hiroki Terei, enquanto a divulgação ganhou um reforço de peso: o mestre do horror Junji Ito, que utilizou suas redes sociais para promover o site oficial do projeto.
Um cadáver consciente no centro da trama
Baseado no material original publicado em 1986, “Living Corpse” mergulha na jornada existencial e aterrorizante de um homem que, mesmo após a morte, mantém sua consciência intacta. A trama acompanha sua recusa em aceitar a decomposição física e a nova condição de cadáver, em uma narrativa que mistura o horror grotesco e o surrealismo característicos de Hino.

Hideshi Hino é uma das figuras mais influentes do horror mundial, conhecido por obras que exploram o bizarro. No Brasil, o autor possui uma base sólida de fãs, com títulos como “Panorama do Inferno”, “A Serpente Vermelha” e o recente “Pesadelos Completos” (2025) publicados por editoras como DarkSide Books, Conrad e Zarabatana. Curiosamente, o conto original de “Living Corpse” ainda permanece inédito no mercado brasileiro.
O legado de Hino e os desafios da IA
O anúncio do filme ocorre em um momento delicado para o autor. No final do ano passado, Hino revelou publicamente que está lutando contra um câncer no pâncreas. A decisão de utilizar IA para adaptar sua obra levanta questões sobre o futuro das adaptações artísticas, especialmente ao transpor o traço tão autoral e orgânico de Hino para algoritmos digitais.
Resta saber se a tecnologia será capaz de capturar a melancolia e a atmosfera perturbadora que consagraram “Living Corpse” como um cult das HQs de horror. O resultado poderá ser conferido pelo público no segundo semestre deste ano.
Descubra mais sobre HQPOP
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




