Conheça o movimento que rompeu barreiras, conquistou prêmios nacionais e transformou a Amazônia em voz ativa no cenário literário brasileiro.
Celebrado em 30 de janeiro, o Dia do Quadrinho Nacional é um marco para reconhecer a importância das histórias em quadrinhos como linguagem artística e literária no Brasil. Em 2026, a data também evidencia uma transformação significativa no cenário editorial: a consolidação do Norte como um dos polos mais pulsantes da produção de quadrinhos no país.
Criado há seis anos, o Norte em Quadrinhos é uma iniciativa pioneira no processo de descentralização do mercado editorial de histórias em quadrinhos, atuando para romper a lógica concentrada nos grandes centros do Sudeste. Mais do que divulgar obras, o projeto se consolidou como um movimento cultural que articula visibilidade, profissionalização, circulação e reconhecimento para quadrinistas da Região Norte, conectando a produção amazônica a leitores, editoras, festivais e premiações em todo o Brasil.
Ao longo desses anos, o Norte em Quadrinhos construiu uma rede sólida de ações voltadas à profissionalização de quadrinistas, por meio de cursos gratuitos online, organização de eventos, incentivo à produção autoral e a criação do Circuito Amazônico de Quadrinhos — uma série de eventos realizados em cidades como Manaus, Belém, Macapá, Boa Vista, Parintins e Palmas, além de Maripasoula, na Amazônia da Guiana Francesa. A iniciativa também é responsável pela realização do Prêmio Mapinguari de Quadrinhos, a primeira premiação dedicada exclusivamente a artistas e obras da Região Norte.

No Dia do Quadrinho Nacional, o movimento reforça que os quadrinhos amazônicos não ocupam mais um lugar periférico no cenário brasileiro. As narrativas produzidas no Norte dialogam com questões sociais, ambientais, políticas e identitárias, transformando a Amazônia em voz ativa dentro da linguagem dos quadrinhos contemporâneos.

A data será celebrada com atividades em diferentes cidades da região. Em Manaus, acontece o Esquenta Semana do Quadrinho Nacional de Manaus, nos dias 30 e 31 de janeiro, na Biblioteca Pública do Amazonas. A programação antecipa a Semana do Quadrinho Nacional de Manaus, que será realizada de 27 a 29 de março, como parte do Circuito Amazônico de Quadrinhos. Em Belém, no dia 30 de janeiro, acontece a Pavulagem Comicon, das 9h às 17h, na Biblioteca Avertano Rocha, ampliando a programação da data na região Norte. Em Macapá, também no dia 30 de janeiro, uma programação especial marca a data, reforçando a mobilização regional em torno da celebração.


Para Sâmela Hidalgo, manauara, idealizadora do Norte em Quadrinhos e uma das principais articuladoras do movimento, o Dia do Quadrinho Nacional simboliza uma mudança concreta no cenário editorial brasileiro.
“O Norte sempre produziu quadrinhos potentes, mas por muito tempo essas obras ficaram invisibilizadas. O trabalho do Norte em Quadrinhos é sobre criar caminhos, abrir espaços e garantir que nossas histórias circulem, sejam lidas e reconhecidas. Hoje, o Norte está no mapa do quadrinho nacional”, afirma.
Além da articulação cultural, o Norte em Quadrinhos também atua na publicação de obras com forte recorte social e ambiental. Entre os destaques está a HQ “A Voz da Foz”, produzida em parceria com o Instituto Mapinguari e o Coletivo Iukytaias, que reúne nove histórias sobre as consequências da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. A obra teve lançamentos em todos os estados da Região Norte, ampliando a circulação de narrativas amazônicas e fortalecendo o diálogo entre quadrinhos, território e meio ambiente.
Os resultados dessa movimentação se refletem no reconhecimento nacional. Em 2025, quadrinhos e quadrinistas do Norte alcançaram o maior número de indicações da história da região no Troféu HQMIX, o principal prêmio dos quadrinhos brasileiros: foram 14 indicações e, pela primeira vez em mais de três décadas de premiação, quatro troféus foram conquistados por artistas nortistas.

Ao conectar o Dia do Quadrinho Nacional com o fortalecimento da produção amazônica, o Norte em Quadrinhos reafirma que descentralizar o mercado editorial é também ampliar vozes, imaginários e perspectivas, de que o futuro dos quadrinhos brasileiros passa, cada vez mais, pela Amazônia.
Fonte: Assessoria de Comunicação
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