No segundo volume da série, Katie Kirby equilibra humor e os dramas reais da pré-adolescência com uma honestidade que conquista gerações.
Katie Kirby, escritora e ilustradora residente em Hove, na Inglaterra, trilhou um caminho singular na literatura. Após consolidar sua carreira com um blog para adultos que se tornou um best-seller, ela migrou com sucesso para o universo infantil com a série protagonizada por Lottie Brooks, que já conta com oito títulos publicados no exterior. Em As amizades desastradas de Lottie Brooks (Vol. 2), publicado no Brasil pela Faro Editorial, Kirby reafirma seu talento em capturar a voz autêntica e, muitas vezes, embaraçosa da pré-adolescência.
Neste volume, Lottie enfrenta um turbilhão de mudanças típicas dos 11 (e três quartos!) anos. Enquanto tenta se adaptar à chegada de Bella, sua nova irmãzinha barulhenta, a protagonista precisa lidar com o retorno de sua amiga Molly para a escola. O que parecia ser o cenário dos sonhos — ter as duas melhores amigas na mesma sala — rapidamente se transforma em um campo de batalha social, onde o ditado “dois é bom, três é demais” ganha contornos dramáticos.
A narrativa ganha ritmo quando Lottie decide audicionar para o musical da escola, A Pequena Sereia, visando atrair a atenção de seu crush, Daniel. O fato de ela acabar escalada como um caranguejo sintetiza perfeitamente o espírito da obra: uma mistura de aspirações grandiosas e realidades tragicômicas. A escrita de Kirby é fluida e visual, beneficiando-se de sua experiência como ilustradora para criar uma conexão imediata com o leitor.
Criticamente, o livro se destaca pela construção de personagens relacionáveis. Lottie não é uma heroína idealizada; ela lida com a falta de um celular, a ausência de um namorado e a frustração de não ter o corpo que deseja. O confronto constante com Amber, a garota popular, e a pressão para manter a harmonia no grupo de amigas (o “Trio Terrível”) oferecem uma perspectiva honesta sobre os altos e baixos dessa fase da vida, sem jamais soar como um sermão.

A estrutura em formato de diário, com ilustrações em preto e branco, facilita a leitura e mantém um ritmo ágil, ideal para a faixa etária de 8 a 12 anos. Embora a trama siga fórmulas conhecidas do gênero middle grade, como as de Diário de um Banana, Kirby injeta uma dose extra de sensibilidade e humor britânico que eleva o material.
Pontos Fortes:
• Humor genuíno: As situações embaraçosas provocam risos reais e identificação.
• Representação autêntica: Aborda temas como mudanças familiares e inseguranças corporais de forma leve.
• Projeto gráfico: As ilustrações complementam o texto, tornando a experiência dinâmica.
Pontos Fracos:
• A dependência de tropos escolares tradicionais (como a rivalidade com a garota popular) pode parecer repetitiva para leitores mais experientes do gênero.
Em suma, As amizades desastradas de Lottie Brooks é uma recomendação certeira para jovens que buscam uma leitura que valide seus próprios sentimentos de inadequação com leveza. É o livro ideal para quem está navegando pelas águas turbulentas do ensino fundamental e precisa saber que, mesmo vestida de caranguejo, é possível sobreviver ao semestre.
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