janeiro 13, 2026
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Festival de Angoulême: o fim de uma era e o plano para 2027

Angoulême inicia processo de reinvenção total para recuperar prestígio internacional e confiança dos autores. Foto/Roimain Perrocheau/AFP

Após cancelamento histórico e revolta de autores, maior evento de HQs da Europa anuncia reformulação radical e busca novo comando.

O mundo das artes gráficas foi sacudido por uma notícia drástica: o cancelamento da edição de 2026 do Festival de Angoulême. Pela primeira vez desde sua criação, em 1974, o evento não acontecerá em seu formato tradicional. No entanto, o que parece um ponto final é, na verdade, o início de uma transformação profunda para salvar a “capital mundial da HQ”.

A crise atingiu o ponto de ruptura após uma revolta generalizada de autores e editores contra a empresa 9e Art+, que gerenciava o festival desde 2007. As críticas apontam para uma gestão opaca, deriva comercial e de forma alarmante, o tratamento inadequado de casos de violência sexual nos bastidores. Diante do risco de um boicote em massa, a organização decidiu “resetar” o projeto.

O renascimento em 2027

A ordem agora é transparência e governança. A Associação para o Desenvolvimento da BD em Angoulême (ADBDA) assumiu o controle e implementou novos estatutos. Agora, autores e editores têm o mesmo peso que o setor público nas decisões, garantindo que o festival volte a ser um “bem comum” da comunidade.

O planejamento para 2027 já está em curso e promete mudanças radicais:

Nova Identidade: O evento terá um novo nome e logotipo, deixando para trás a marca FIBD.

Novas Datas: As edições futuras podem ocorrer entre janeiro e meados de março, possivelmente estendendo a duração para uma semana inteira.

Compromisso Ético: O novo caderno de encargos exige medidas rigorosas contra o assédio e a garantia de acesso gratuito para profissionais do setor.

O que acontece em 2026?

Embora a 53ª edição oficial tenha sido cancelada, a cidade não ficará vazia. A prefeitura de Angoulême confirmou que irá fortalecer o festival “Off”, realizado paralelamente ao evento principal. Para o período de 29 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026, são esperados cerca de 500 autores e 80 editoras.

A busca por um novo organizador profissional já começou, com o prazo para entrega de projetos até 12 de março deste ano. O objetivo é claro: devolver a Angoulême o posto de vitrine máxima da nona arte, mas desta vez, com uma base ética e profissional muito mais sólida.

Fonte: Le Figaro

Editor
Ilustrador, cartunista e quadrinista com mais de 30 anos de carreira. Premiado internacionalmente, destaca‐se pela crítica ácida e humor irreverente. Agora, como editor do HQPOP, ele traduz a cultura pop com ousadia e criatividade.

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