Após cancelamento histórico e revolta de autores, maior evento de HQs da Europa anuncia reformulação radical e busca novo comando.
O mundo das artes gráficas foi sacudido por uma notícia drástica: o cancelamento da edição de 2026 do Festival de Angoulême. Pela primeira vez desde sua criação, em 1974, o evento não acontecerá em seu formato tradicional. No entanto, o que parece um ponto final é, na verdade, o início de uma transformação profunda para salvar a “capital mundial da HQ”.
A crise atingiu o ponto de ruptura após uma revolta generalizada de autores e editores contra a empresa 9e Art+, que gerenciava o festival desde 2007. As críticas apontam para uma gestão opaca, deriva comercial e de forma alarmante, o tratamento inadequado de casos de violência sexual nos bastidores. Diante do risco de um boicote em massa, a organização decidiu “resetar” o projeto.
O renascimento em 2027
A ordem agora é transparência e governança. A Associação para o Desenvolvimento da BD em Angoulême (ADBDA) assumiu o controle e implementou novos estatutos. Agora, autores e editores têm o mesmo peso que o setor público nas decisões, garantindo que o festival volte a ser um “bem comum” da comunidade.
O planejamento para 2027 já está em curso e promete mudanças radicais:

• Nova Identidade: O evento terá um novo nome e logotipo, deixando para trás a marca FIBD.
• Novas Datas: As edições futuras podem ocorrer entre janeiro e meados de março, possivelmente estendendo a duração para uma semana inteira.
• Compromisso Ético: O novo caderno de encargos exige medidas rigorosas contra o assédio e a garantia de acesso gratuito para profissionais do setor.
O que acontece em 2026?
Embora a 53ª edição oficial tenha sido cancelada, a cidade não ficará vazia. A prefeitura de Angoulême confirmou que irá fortalecer o festival “Off”, realizado paralelamente ao evento principal. Para o período de 29 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026, são esperados cerca de 500 autores e 80 editoras.
A busca por um novo organizador profissional já começou, com o prazo para entrega de projetos até 12 de março deste ano. O objetivo é claro: devolver a Angoulême o posto de vitrine máxima da nona arte, mas desta vez, com uma base ética e profissional muito mais sólida.




