janeiro 21, 2026
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Fim de uma era: Editora Mino anuncia encerramento

Capítulo final? Após mais de dez anos de atuação, a Editora Mino anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades no mercado de quadrinhos. Imagem/Reprodução

Após 11 anos e prêmios como o Jabuti, a casa de Ed Brubaker no Brasil se despede. Entenda os motivos e como aproveitar o saldão histórico.

O fim de um ciclo de ouro nos quadrinhos brasileiros

O mercado de quadrinhos nacional foi pego de surpresa na noite desta terça-feira (20). Em uma transmissão ao vivo no canal Fora do Plástico, os editores Janaína de Luna e Pedro Cobiaco anunciaram oficialmente o encerramento das atividades da Editora Mino. Após 11 anos de uma trajetória que transformou o cenário editorial no Brasil, a dupla confirmou que a decisão foi planejada e marca o fechamento de um ciclo histórico.

Fundada em 2014, a Mino estreou com o pé direito com L’amour: 12 oz, de Luciano Salles. Desde então, consolidou-se como uma curadoria de elite, sendo a casa exclusiva de Ed Brubaker no país e publicando nomes de peso como Jeff Lemire e Jason. O reconhecimento máximo veio com a coletânea Braba, que rendeu à editora o Prêmio Jabuti de Livro Brasileiro Publicado no Exterior.

Por que a Mino está fechando?

Diferente do que muitos podem imaginar, o fim da editora não é um evento abrupto, mas uma escolha consciente baseada no crescimento das carreiras pessoais de seus fundadores. “Tivemos a sensação de que o ciclo se fechou, de que não estávamos mais dispostos a abrir mão da nossa carreira e de propostas para manter algo que já estava nos desgastando”, revelou Janaína de Luna.

A logística financeira também pesou na balança. Para manter a estrutura da editora — que inclui aluguel e funcionários — seria necessário um ritmo de 12 a 15 lançamentos anuais. Com o foco voltado para seus próprios projetos artísticos, a produção da Mino caiu drasticamente, com apenas três HQs lançadas em 2025, tornando a operação insustentável a longo prazo.

O legado e o “Até Logo”

Apesar do encerramento, o impacto da Mino no fomento ao quadrinho nacional e na criação de uma comunidade fiel de leitores é inegável. E para quem teme nunca mais ver a marca, há uma luz no fim do túnel: os editores optaram por não vender o nome da empresa. Segundo Janaína, a editora pode retornar em um ano, cinco ou dez, deixando a porta aberta para o futuro.

Projetos educativos como os cursos ministrados pela dupla e o projeto Narrativas Periféricas continuarão ativos. Enquanto isso, Janaína e Pedro pretendem dedicar suas forças integralmente ao lado artístico, prometendo voltar “muito mais fortes” como autores.

Saldão histórico: A chance de completar sua coleção

Para “deixar a casa arrumada” e arcar com os custos de fechamento, a Editora Mino iniciou um saldão de estoque em seu site oficial. Pedro Cobiaco destacou que os livros serão comercializados pelos preços mais baixos da história da editora.

É uma oportunidade única para os colecionadores garantirem obras premiadas antes que os direitos retornem para os autores nacionais ou que os títulos estrangeiros deixem de ser comercializados pela editora. “Esse saldão é importante pra fechar as contas bonitinho, deixar a casa arrumada”, reforçou Cobiaco.

Fãs pegos de surpresa expressam sua tristeza com o fim da editora nas redes sociais. Imagem/Redes sociais

A despedida da Mino deixa um vazio na curadoria de HQs no Brasil, mas encerra um capítulo vitorioso que priorizou a qualidade e o respeito aos autores e leitores até o último quadro.


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Editor
Ilustrador, cartunista e quadrinista com mais de 30 anos de carreira. Premiado internacionalmente, destaca‐se pela crítica ácida e humor irreverente. Agora, como editor do HQPOP, ele traduz a cultura pop com ousadia e criatividade.

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