Alex Van Halen detalha em ‘Irmãos’ a conexão com Eddie, a mágoa com ‘Beat It’ e bastidores com Gene Simmons no livro que redefine a história do rock.
A história do rock acaba de ganhar um novo capítulo essencial, narrado por quem estava atrás dos pratos na fundação de um império sonoro. A editora Belas Letras anunciou o lançamento de “Irmãos”, a aguardada autobiografia de Alex Van Halen. Mais do que uma cronologia de sucessos, a obra se apresenta como um mergulho visceral na simbiose entre Alex e seu irmão, Edward Van Halen, revelando como essa conexão moldou a música moderna.
Em um momento em que a cultura pop revisita intensamente os ícones das décadas de 70 e 80, o relato de Alex surge para humanizar o mito de Eddie Van Halen. O livro não foge de temas áridos, como o luto e a dependência química, posicionando-se como um documento definitivo sobre o preço da genialidade no entretenimento.
A gênese de uma revolução sonora

O livro percorre seis décadas de história, desde o momento seminal em 1970, quando os irmãos assistiram a Eric Clapton. A frustração de Eddie com a performance de Clapton foi o catalisador para que ele buscasse um som mais agressivo e “vivo”, semente do que viria a ser a revolução da guitarra elétrica.
Alex detalha passagens curiosas, como a interferência de Gene Simmons, do KISS, que se encantou com a técnica de tapping de Eddie. Simmons chegou a oferecer produção e sugeriu nomes inusitados para a banda, como “Virus” ou “Daddy Long Legs” proposta prontamente ignorada em favor do nome sugerido por David Lee Roth: Van Halen.
Além das cordas da guitarra

A relevância de “Irmãos” reside na desconstrução da dinâmica interna de uma das maiores bandas do mundo. O livro expõe a tensão entre o pragmatismo protetor de Alex e a impulsividade criativa de Eddie. Um dos pontos altos é a revelação da mágoa de Alex com a participação de Eddie em “Beat It”, de Michael Jackson.
Para o baterista, ceder o talento de Eddie para “ampliar o apelo” de outro artista era um erro estratégico. “Se você quer ampliar o nosso apelo, o Michael é que deveria estar no nosso disco!”, argumentou Alex na época, evidenciando uma visão de mercado austera que contrastava com o desprendimento artístico do irmão.
Impacto no mercado e na cena cultural
A obra, que chega às livrarias brasileiras em 24 de fevereiro de 2026, promete ser um marco editorial para fãs e historiadores da música. Com fotos inéditas e relatos de bastidores, o texto oferece uma perspectiva de “insider” que poucas biografias de rock conseguem atingir, dada a reclusão histórica de Alex Van Halen.

Narrativamente, o livro estabelece um paralelo interessante com outras grandes obras sobre parcerias fraternas na música, mas com o peso emocional de um luto que ainda parece recente para o autor.
O relato de Alex Van Halen em “Irmãos” transcende a fofoca de bastidor para se tornar um estudo sobre a posse da criatividade. A disputa sobre o solo de “Beat It” é o exemplo perfeito de como a indústria e o afeto colidem. Ao se colocar como o protetor de Eddie, Alex revela que a genialidade muitas vezes precisa de um cão de guarda, mesmo que isso gere cicatrizes.
Com o lançamento marcado para o início de 2026, espera-se que a obra impulsione uma nova onda de reavaliação da discografia do Van Halen nos serviços de streaming. O público deve ficar atento a possíveis materiais de arquivo mencionados no livro que possam vir a público, além do impacto emocional que essas revelações terão na relação (sempre volátil) com os antigos vocalistas da banda.
Descubra mais sobre HQPOP
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




