Agildo Monteiro resgata o pânico do “Chupa-chupa” em obra que mistura pesquisa rigorosa e o olhar de quem viveu o apocalipse em 1977.
No final da década de 1970, enquanto o Brasil vivia o rigor dos anos de chumbo, uma pequena ilha no Pará enfrentava um inimigo vindo das estrelas. Agildo Monteiro, pesquisador dedicado, entrega em Ilha de Colares na Amazônia – Fenômeno Prato-Voador o resultado de dez anos de uma busca incansável pela verdade por trás da “Operação Prato”. Longe do sensacionalismo fugaz, o autor se posiciona como um guardião da memória de um povo que viu o céu se tornar uma fonte de pavor.

A obra narra os eventos traumáticos de 1976 e 1977, quando luzes misteriosas, apelidadas de “Chupa-chupa”, atacavam os moradores de Colares para sugar-lhes o sangue com raios luminosos. Monteiro reconstrói esse cenário de invasão sob a ótica de quem conhece a geografia e a alma da ilha.
Agildo Monteiro evita o vício das reportagens do sudeste brasileiro, que frequentemente observam a Amazônia como um objeto exótico e distante. Sua escrita é direta e focada na urgência do relato humano, conferindo um ritmo ágil que prende o leitor do início ao fim.

A construção do “elenco” desta história real é primorosa. Um dos destaques é o gato Toalha, cujo comportamento instintivo ao arquear o corpo e eriçar os pelos servia como um alarme biológico para a chegada das naves. Esse tipo de detalhe humaniza a narrativa, elevando-a de um simples relatório ufológico para um registro antropológico do medo.
O universo da obra é reforçado por uma estrutura narrativa que valoriza a imersão. As ilustrações de Carlos Alpheu e as fotografias do próprio autor funcionam como janelas para o passado, permitindo que o leitor visualize o pânico que os habitantes enfrentaram em uma época de isolamento e pouco acesso a comunicações.

Culturalmente, o livro preenche uma lacuna importante ao documentar o que os locais descreveram como um “verdadeiro apocalipse na Amazônia”. Em comparação com outras obras do gênero que focam apenas em dados técnicos militares, Agildo se destaca ao dar voz às vítimas civis da invasão.
- Pontos Fortes: A autenticidade da perspectiva local e a riqueza dos relatos testemunhais. O projeto gráfico da Editora Café, com dimensões que tornam a leitura confortável, também é um diferencial.
- Pontos Fracos: Por ser uma publicação independente de nicho, o alcance da obra pode ser limitado, o que é uma perda para o registro histórico e ufológico brasileiro.
Ilha de Colares na Amazônia – Fenômeno Prato-Voador é uma leitura essencial não apenas para entusiastas da ufologia, mas para qualquer pessoa interessada na história oculta do Brasil. Agildo Monteiro transforma o terror de 1977 em um documento vibrante e necessário. O livro é ideal para quem busca uma narrativa que une mistério, rigor investigativo e sensibilidade humana.
- Editora: Editora Café
- Autor/Equipe: Agildo Monteiro Cavalcante
- Páginas/Formato: 196 páginas - Capa Comum
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