fevereiro 5, 2026
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Morre Ricardo Schnetzer, a voz brasileira de Al Pacino e Tom Cruise, aos 72 anos

O dublador e diretor Ricardo Schnetzer, voz brasileira de astros de Hollywood e de personagens icônicos da cultura pop, que faleceu aos 72 anos. Foto/Vakinha/Instagram/Reprodução

Ícone da dublagem nacional, Schnetzer deu voz a astros como Richard Gere e Nicolas Cage, além de personagens marcantes como Hank, de Caverna do Dragão. O artista lutava contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Uma perda irreparável para a cultura pop brasileira

O universo do entretenimento brasileiro se despede de uma de suas vozes mais emblemáticas. Ricardo Schnetzer, dublador, ator e diretor, faleceu na última quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, aos 72 anos. O artista enfrentava uma batalha contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa rara e progressiva que compromete o sistema nervoso e os movimentos musculares.

A notícia foi confirmada por familiares e colegas de profissão, mobilizando fãs de diversas gerações que cresceram acompanhando seu trabalho em filmes, séries e animações.

Voz de lendas: De Al Pacino a Tom Cruise

Nascido no Rio de Janeiro em 1953, Schnetzer iniciou sua carreira artística nos anos 1970, após formar-se na FEFIEG (atual Unirio). Com quase cinco décadas de trajetória, ele se consolidou como a voz oficial de grandes estrelas de Hollywood no Brasil. Entre seus trabalhos cinematográficos mais icônicos, destacam-se:

Al Pacino: Especialmente como o gângster Tony Montana em Scarface e na trilogia O Poderoso Chefão.

Tom Cruise: Eternizado como o piloto Maverick em Top Gun: Ases Indomáveis.

Richard Gere: A voz do elegante Edward Lewis em Uma Linda Mulher.

Nicolas Cage: Em sucessos como A Cor do Dinheiro e A Chance.

Outros astros: Schnetzer também dublou John Cusack, Patrick Swayze, Kurt Russell e Daniel Day-Lewis.

Presença marcante em animações e novelas

Para além dos cinemas, a versatilidade de Ricardo Schnetzer alcançou o público infantil e os fãs de produções orientais e latinas. Ele deu vida a personagens que integram a memória afetiva brasileira, como:

Hank, o arqueiro e líder de Caverna do Dragão.

• O herói ecológico Capitão Planeta.

• O vilão Slade, em Jovens Titãs.

Albafica de Peixes, em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas.

Carlos Daniel, interpretado por Fernando Colunga na novela mexicana A Usurpadora.

Legado como diretor e mentor

Schnetzer não se limitou a atuar diante do microfone. Ele teve um papel fundamental nos bastidores, atuando como diretor de dublagem por cerca de 15 anos nos estúdios Herbert Richers, além de passagens pela Audio Corp e Alcateia. Sua atuação foi crucial para a formação de novas gerações de dubladores.

Seu sobrinho e filho de criação, Victor Vaz, que também seguiu a carreira de dublador incentivado pelo tio, publicou uma emocionante homenagem nas redes sociais. Victor destacou que Ricardo o ensinou o valor da ética e acreditou em seu potencial quando ele mesmo duvidava.

A luta contra a ELA

O diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica tornou-se público no início de 2026. Devido aos altos custos do tratamento domiciliar, que exigia cuidados 24 horas, amigos e familiares chegaram a organizar uma vaquinha online. A campanha arrecadou mais de R$ 118 mil, refletindo o carinho e o reconhecimento do impacto de seu trabalho na vida de milhares de brasileiros.

Até o momento, informações sobre velório e sepultamento não foram divulgadas. Ricardo Schnetzer deixa um legado de excelência técnica e uma voz que permanecerá viva em clássicos do audiovisual.


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Editor
Ilustrador, cartunista e quadrinista com mais de 30 anos de carreira. Premiado internacionalmente, destaca‐se pela crítica ácida e humor irreverente. Agora, como editor do HQPOP, ele traduz a cultura pop com ousadia e criatividade.

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