Com distribuição gratuita, a nova revista do selo Anticomix une cineastas e artistas gráficos para narrar a alma e a resistência da cidade mineira.
A cidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, consolidou-se nos últimos anos como um dos polos mais vibrantes do cinema independente brasileiro. Com produções que alcançaram desde o tradicional Festival de Brasília até as prestigiadas páginas da revista francesa Cahiers du Cinéma, a estética local agora transpõe as telas para ganhar o papel com o lançamento da revista “Dicria – Contagem a Cada Esquina”.
Organizada por Victor Lopes e publicada pelo selo independente Anticomix, a revista busca capturar a “alma” contagense através da fusão entre a sétima arte e as HQs. O projeto, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2025, traz duas narrativas centrais que mergulham no cotidiano e na memória da cidade.
O cotidiano em quadros A primeira história, “Brejo Alegre”, é assinada pelo ator e diretor Renato Novaes — vencedor de três prêmios Candango — com arte de Arthur Pigs. A trama revisita a infância de Novaes no bairro Industrial, utilizando um blecaute como gatilho para memórias sobre as transformações urbanas periféricas, onde o mato deu lugar ao muro e ao asfalto.

Em contrapartida, a ficção científica assume o protagonismo em “A Estrela Mais Brilhante do Céu”, do diretor Breno Oliveira e da quadrinista Maria Jupira. A narrativa transporta a repressão militar da Ditadura para as ruas de Contagem, transformando a “quebrada” no epicentro de uma narrativa épica de mistério e resistência. Segundo Oliveira, a obra visa colocar sua gente no centro de um épico que ressoa com qualquer periferia brasileira.

Estética documental e onírica A produção da revista Dicria Contagem não se limitou ao roteiro; a arte foi concebida a partir de uma pesquisa visual rigorosa que uniu fotografias da cidade e a própria filmografia local. O objetivo da equipe foi construir um cenário que fosse, simultaneamente, documental e onírico, respeitando a paisagem real enquanto expande os limites da imaginação.
Para o editor Victor Lopes, a conexão entre o cinema e os quadrinhos sempre esteve presente na vontade da cidade de contar suas próprias histórias. A HQ funciona como um fio que tece memória, afeto e o espírito de enfrentamento característico da região.
Como garantir o seu exemplar Reforçando o caráter democrático do projeto, a distribuição de “Dicria” será totalmente gratuita, tanto em formato físico quanto digital. A edição impressa conta com 40 páginas em papel offset e capa cartão laminada.
Os eventos de lançamento já têm data marcada:
- Contagem: Dia 7 de março, na Estação Juventude.
- Belo Horizonte: Dia 14 de março, na feira Bueira Central (Edifício Central), das 16h às 23h.

Além dos eventos oficiais, a revista será distribuída em escolas públicas e participará de festivais de quadrinhos pelo país. Interessados na versão digital podem se cadastrar no site da Anticomix para receber atualizações.
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