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Quadrinistas do mercado brasileiro que deviam ser descobertos ou mais publicados no Brasil

Quadrinistas do mercado brasileiro que deviam ser descobertos ou mais publicados no Brasil
Vários quadrinistas brasileiros que merecem mais reconhecimento no mercado. Arte/Franklin Fernandes

O mercado de quadrinhos no Brasil está em ascensão, mas muitos talentos incríveis ainda não receberam a atenção que merecem.

O mercado de quadrinhos atravessa um momento sem precedentes. Globalmente, estima-se que o setor atinja a marca de US$ 18,14 bilhões em 2025. No Brasil, esse crescimento é visível no recorde de publicações de mangás, que alcançou 676 volumes em 2025, envolvendo 16 editoras diferentes. Além dos números, o prestígio internacional nunca foi tão alto: após o prêmio Eisner de Marcelo D’Salete em 2018, a artista Bilquis Evely fez história em 2025 ao se tornar a primeira mulher brasileira a vencer o Eisner de Melhor Desenhista.

Vários quadrinistas brasileiros que merecem mais reconhecimento no mercado.
Bilquis Evely em seu ateliê. Foto/Flávio Florido/Veja SP


Apesar desse “momento de ouro” e da diversidade de temas que vão da realidade social à ficção científica, existe um descompasso. Enquanto o público consome massivamente títulos estrangeiros, muitos talentos nacionais com obras sólidas e autorais permanecem circulando apenas em nichos de fanzines ou financiamentos coletivos. Para que a produção brasileira rompa de vez as fronteiras das prateleiras independentes, é preciso lançar luz sobre quem já está produzindo arte de altíssimo nível.

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A força do imaginário Amazônico e do Norte

Vários quadrinistas brasileiros que merecem mais reconhecimento no mercado.
Quadrinistas inovadores que estão fora dos holofotes. Arte/Franklin Fernandes

O cenário nortista é, hoje, um dos polos mais criativos e menos explorados pelas grandes editoras do eixo Sul-Sudeste. Artistas como Franklin Fernandes (PA) destacam-se por levar o imaginário da Amazônia para as páginas, enquanto Saruzilla (AP) já provou seu valor ao vencer o Troféu Angelo Agostini com a HQ infantil O Menino e a Baleia.

Vários quadrinistas brasileiros que merecem mais reconhecimento no mercado.
Quadrinistas brasileiros que estão mudando a cena das HQs.

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Outros nomes fundamentais que merecem atenção incluem:

  • Álvaro Maia (TO): Ilustrador, arte-educador e tatuador radicado em Palmas, é um dos nomes influentes e expressivos do cenário de HQs da Região Norte.
  • Aynan Del Tetto (AP): Também conhecida como Mrs. Delart, é uma ilustradora e artista visual radicada em Macapá, sendo uma figura proeminente da nova geração amapaense.
  • Beatriz de Miranda (PA): Pesquisadora sobre a representação feminina e feminismos nas HQs, produziu a obra “Não Se Esqueçam de Nós”.
  • Bua Bruno (BA): Pseudônimo de Bruno Marcello, é um dos membros fundadores do coletivo Bahia em Quadrinhos (BAQ) e mistura elementos da cultura baiana com ficção científica.
  • Chao Gizan (BA): Artista visual soteropolitano responsável pela identidade visual e desenhos da aclamada série de quadrinhos “Oxóssi”.
  • Dyo (BA): Estudante de design e ilustradora freelancer, é autora de quadrinhos publicados de forma independente na internet, como “FÚRIA” e “MEIO-BESTA LANCHES”.
  • Emmanuel Thomas (PA): Autodidata com traço versátil e “sujo”, editou fanzines como “Horizonte Zero” e “Égua!”, além de ilustrar para editoras como Jupiter2 e Marca de Fantasia.
  • Felipe Manhães (RJ): Possui um portfólio vasto com mais de 500 páginas produzidas, com destaque para obras como “Microcontos em Quadrinhos” e “Histórias Desconexas de Violência Urbana”.
  • Fernando Carvalho (PA): Ilustrador e quadrinista que se destaca no cenário nacional pelo trabalho focado em temáticas do imaginário da Amazônia.
  • Gabs (PA): Atuando como Gabsilustra, mistura a identidade visual amazônica com traços modernos de animação e design de personagens.
  • Isabella Ismile (BA): Criadora do projeto “Ei Pretinha”, utiliza suas HQs para promover a autoestima negra, o letramento racial e o empoderamento feminino.
  • José Augusto Luz (PA): Quadrinista e arte-finalista que desenvolve projetos autorais como “Grão Pará” e “Projeto Japiim a Saga”.
  • Lorena Sousa (AM): Artista visual e roteirista independente que transita entre a cultura pop, o universo geek e as artes clássicas regionais.
  • Lucas Rhossard (PA): Jovem cartunista e artista de storyboard de Belém, atuante em múltiplas vertentes das artes visuais e da animação.
  • Márcio Loerzer (PA): Reconhecido no mercado internacional como finalista para Marvel e DC, possui carreira em estúdios como Zenescope e Wildstorm.
  • Mariana Farias (PA): Participa ativamente de polos de publicações independentes na Amazônia e colabora com movimentos para democratizar o acesso à leitura de HQs.
  • Mig Mendes (RJ): Ilustrador e roteirista que trabalhou com Ziraldo desde 1989 em títulos icônicos como “O Menino Maluquinho” e “Turma do Pererê”.
  • Nauta de Pegasus (AP): Pseudônimo de Natália Muniz, é um artista não-binário que fez história como a primeira pessoa amapaense a publicar em uma revista nacional (Calafrio).
  • Neo Chan (AM): Pseudônimo de Nilson Farias de Azevedo, é o criador da “Turma do Malandrinho” e integrou o grupo de quadrinistas Ajuri.
  • Pedro T.O.S. Ribeiro (BA): Roteirista independente que funde a estrutura dos super-heróis ocidentais com a ancestralidade das religiões afro-brasileiras.
  • Rafa Bonfim (DF): Artista plástico e quadrinista no Distrito Federal, reconhecido por obras que dialogam com a representatividade e a cultura afro-brasileira.
  • Roberto Mendes (PA): Listado entre os quadrinistas brasileiros com obra sólida que seguem inéditos ou pouco publicados no circuito comercial.
  • Robson Marone (PA): Ilustrador amplamente reconhecido no cenário nortista por seu foco em narrativas de horror cósmico e lendas urbanas.

Representatividade e identidade brasileira

Vários quadrinistas brasileiros que merecem mais reconhecimento no mercado.
Quadrinistas brasileiros que estão mudando a cena das HQs. Imagem/Divulgação

A ascensão das HQs nacionais também é impulsionada por obras que exploram questões de gênero, raça e sexualidade. Na Bahia, a parceria entre Pedro T.O.S. Ribeiro e Chao Gizan resultou na aclamada série Oxóssi, que funde a estrutura dos super-heróis ocidentais com a ancestralidade das religiões afro-brasileiras.

No mesmo caminho, Isabella Ismile (BA) utiliza o projeto Ei Pretinha para promover o letramento racial e a autoestima negra, enquanto Rafa Bonfim (DF) é figura central no Distrito Federal com obras que dialogam com o cotidiano e a cultura afro.

Talentos “ocultos” em grandes franquias

Vários quadrinistas brasileiros que merecem mais reconhecimento no mercado.
Arte de Márcio Loerzer para Cornrows. Imagem/Reprodução

Um fenômeno curioso do mercado é o de artistas que brilham lá fora, mas têm pouco material autoral publicado no Brasil. É o caso de Márcio Loerzer (PA), que possui uma carreira extensa como arte-finalista para gigantes como Marvel, DC e Wildstorm, mas cujos trabalhos autorais e independentes ainda poderiam ter maior circulação em solo nacional.

O papel do financiamento coletivo e o desafio das editoras

Hoje, o financiamento coletivo (Catarse e Apoia.se) é o que permite que muitas dessas histórias autorais ganhem vida sem depender das grandes casas editoriais. No entanto, com a diversificação do mercado que viu 16 editoras diferentes publicarem mangás no Brasil em 2025 há um espaço crescente para que essas mesmas empresas olhem para o talento doméstico.

Enquanto os mangás dominam as listas de vendas com séries inéditas e republicações de luxo, o quadrinho brasileiro oferece temáticas que dialogam diretamente com a realidade do país, desde dramas urbanos de desigualdade até o folclore reinventado. Descobrir e publicar mais esses autores não é apenas uma questão de incentivo cultural, mas de estratégia de mercado, capturando um público que busca, em cada página, um reflexo poderoso da própria identidade.

Emerson Coe

Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.

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