O trailer de Toy Story 5 revela o retorno de Woody e um embate geracional contra os tablets.
A Pixar acaba de lançar o primeiro trailer e pôster de Toy Story 5, e o que parecia ser apenas mais uma sequência ganha contornos de um manifesto sobre a infância contemporânea. No novo capítulo, Woody, Buzz e Jessie enfrentam um adversário mais temível que qualquer vizinho destrutivo ou colecionador ganancioso: a onipresença das telas. Ao colocar os brinquedos clássicos em rota de colisão com o vício digital, a franquia se posiciona, mais uma vez, como o espelho emocional das transições geracionais.
O retorno do cowboy e a invasão digital

O trailer marca o aguardado reencontro entre Woody e Buzz, após a despedida agridoce de Toy Story 4 (2019). A motivação para a volta do veterano é a chegada de Lilypad (voz de Greta Lee), um tablet inovador que passa a ditar as regras na vida de Bonnie. Enquanto os brinquedos físicos lutam para manter sua relevância, um detalhe visual chamou a atenção dos fãs: Woody agora exibe uma “entrada” ou calvície em seu cabelo de plástico.

O espelho da “geração iPad”
A escolha do vilão não é aleatória. No cenário cultural atual, o apego excessivo de crianças a dispositivos eletrônicos é um debate central para pais e educadores. Ao transformar um tablet na figura antagonista ou ao menos no desafio central de “sobrevivência” dos brinquedos, a Pixar dialoga diretamente com as angústias do mercado e do público adulto que cresceu com a franquia.
O elenco de apoio traz novos nomes como Craig Robinson (Atlas, um hipopótamo com GPS) e Matty Matheson (Dr. Nutcase, um brinquedo com fobia de tecnologia), reforçando que o tema central será o conflito entre o analógico e o digital.
Simbolismo e maturidade
O detalhe da calvície de Woody, embora pareça uma piada visual, carrega um peso simbólico profundo. Assim como a franquia amadureceu com seu público de Andy indo para a faculdade ao desapego de Woody, o sinal de envelhecimento do cowboy sugere que ele aceitou seu papel como um mentor veterano.
Narrativamente, a trama de Toy Story 5 parece espelhar o primeiro filme de 1995: se lá Woody temia ser substituído pela tecnologia moderna de Buzz, agora é Jessie quem lidera o grupo em meio ao medo de ser trocada por algo imaterial e digital.

A Pixar prova que Toy Story nunca foi sobre brinquedos, mas sobre o medo humano da obsolescência. O “Woody calvo” é uma jogada de mestre: ele humaniza o ícone de plástico e valida a passagem do tempo para uma audiência que hoje leva seus próprios filhos ao cinema. Trazer o debate sobre o uso de telas para o centro do palco não é apenas relevante; é uma necessidade editorial para manter a franquia viva em um mundo que parece ter esquecido como brincar no chão do quarto.
Expectativas para 2026
Com lançamento previsto para 19 de junho de 2026, Toy Story 5 já se consolidou como um dos filmes mais buscados pelo público. O grande mistério que permanece é como a narrativa justificará a reintegração de Woody ao grupo de Bonnie após ele ter se tornado um “brinquedo perdido”. Espera-se que os próximos trailers aprofundem a relação com Lilypad e mostrem se a tecnologia será integrada ou definitivamente combatida.

Em um mundo onde o entretenimento cabe em uma tela de 10 polegadas, os brinquedos físicos ainda possuem alma ou tornaram-se apenas peças de museu em nossos quartos?
Descubra mais sobre HQPOP
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




