Música

Aline Alves a voz que cruzou estados, reinventou o brega e agora leva o rock amazônico ao maior palco do festival Capital Moto Week

Aline Alves: a artista que conecta brega e rock em Brasília. Foto/Divulgação

Cearense radicada em Belém, cantora venceu reality musical, abriu shows de grandes nomes do rock brasileiro, aproximou o brega do rock e chega a 2026 prestes a lançar seu primeiro álbum autoral e estrear no palco principal do Capital Moto Week.

Toda carreira artística costuma ter um momento em que passado, presente e futuro se encontram. Para Aline Alves, esse instante acontece em 1º de agosto de 2026, quando sobe ao palco principal do Capital Moto Week, em Brasília, um dos maiores festivais de motos e rock da América Latina.

Diante de milhares de pessoas, ela abrirá a programação para o Barão Vermelho, representando não apenas sua trajetória, mas também uma cena musical construída na Amazônia. Natural de Maracanaú, no Ceará, Aline cresceu em uma casa onde a música fazia parte da rotina. Filha de um multi-instrumentista, começou a cantar aos dois anos de idade e participou de festivais e concursos musicais ainda criança. A vocação sempre esteve presente, mas o caminho profissional demorou a acontecer.

Antes de viver da arte, trabalhou como garçonete em Fortaleza. Aos 26 anos, decidiu mudar completamente de vida.A mudança para Belém surgiu após ser descoberta por meio das redes sociais. O que parecia apenas uma oportunidade transformou-se em um recomeço definitivo. Foi na capital paraense que encontrou espaço para desenvolver sua carreira, construir uma identidade artística própria e transformar um sonho antigo em profissão. A consolidação veio rapidamente.

Aline Alves, cantora que mistura brega e rock, se apresentando ao vivo em Belém.
Foto: Bruna Gomes

Em 2022, Aline venceu o reality musical A Voz da Noite, experiência que ampliou sua visibilidade e abriu portas para apresentações em grandes eventos. Desde então, tornou-se presença constante na cena musical paraense, dividindo o palco e abrindo apresentações de alguns dos maiores nomes da música brasileira, entre eles IRA, Pitty e Nando Reis, Supercombo, CPM 22, Detonautas e Ana Carolina, durante a turnê Ana Canta Cássia.

Mais do que interpretar clássicos, Aline foi construindo um espetáculo próprio, transitando entre o rock nacional e internacional, o pop e os grandes sucessos que atravessam gerações. Mas o rock nunca foi apenas repertório, sempre foi identidade. O rock como Origem muito antes da carreira profissional, já ocupava espaço na vida da cantora. Influenciada pelas bandas dos anos 1980 e 1990, Aline cresceu ouvindo guitarras, refrões marcantes e artistas que moldaram sua formação musical. Ao longo dos anos, esse universo passou a dialogar naturalmente com outra grande influência de sua trajetória, a música produzida na Amazônia.

O resultado foi uma identidade difícil de enquadrar em um único gênero. Essa personalidade chamou atenção da organização do Capital Moto Week, que apresentou Aline como uma representante do rock amazônico, destacando justamente a mistura entre referências clássicas do rock e elementos do pop contemporâneo. Mais do que uma definição estética, o termo resume a maneira como sua música nasceu conectando diferentes culturas e diferentes regiões do Brasil.

Em 2024, Aline transformou essa proposta artística em projeto.Nascia o RockBrega Vol. 1, trabalho que aproximou dois universos aparentemente distantes. Ao lado de artistas como Nelsinho Rodrigues, Valéria Paiva, Rebeca Lindsay e Hellen Patrícia, interpretou clássicos do brega paraense com guitarras, bateria e novas leituras, criando um diálogo entre dois gêneros que fazem parte da identidade cultural brasileira.

O projeto ganhou espaço em plataformas especializadas na música paraense e consolidou uma característica que hoje acompanha toda a carreira da cantora: a capacidade de unir tradição e contemporaneidade sem perder autenticidade.

Depois de conquistar espaço como intérprete, ela decidiu contar sua própria história. O primeiro passo aconteceu em 2025, com o lançamento de “Se Um Dia”, composição assinada em parceria com o guitarrista, produtor e diretor musical Andinho Farias. A música apresentou ao público uma nova fase artística.

Ela também abriu caminho para o primeiro álbum autoral da cantora.O disco reunirá 11 faixas inéditas em português, inspiradas no rock das décadas de 1980 e 1990, mas também influenciadas pelo pop dos anos 2000. É o projeto mais pessoal de sua carreira até agora.

Se Aline é a voz que conduz o espetáculo, sua banda representa uma reunião de histórias, experiências e gerações que ajudam a construir a identidade sonora do projeto. À frente da direção musical está Andinho Farias, guitarrista, arranjador, compositor e produtor musical, autodidata, iniciou sua trajetória ainda adolescente e ganhou projeção nacional ao integrar bandas como TecnoShow, ao lado de Gaby Amarantos, e Amor Perfeito, de Ximbinha.Ao longo de quase duas décadas, tornou-se um dos produtores mais respeitados da região Norte, assinando trabalhos para artistas como Manu Batidão, Rebeca Lindsay, Rhenan Sanches, ARK e Xeiro Verde, além de produzir jingles, trilhas e projetos audiovisuais.

Na banda de Aline, sua atuação vai muito além da guitarra. É ele quem conduz os arranjos, assina a direção musical dos shows e participa diretamente da produção das músicas autorais da cantora, incluindo a composição de “Se Um Dia”.

Aline Alves, cantora que mistura brega e rock, se apresentando ao vivo em Belém.
Foto: João Barroso

No contrabaixo está Kaléo Cardoso, músico autodidata que começou a tocar aos 15 anos. Após anos aprendendo sozinho, tornou-se profissional da noite paraense e passou por mais de vinte bandas e artistas. Desde 2022 acompanha Aline em uma rotina intensa de apresentações, chegando a realizar entre 20 e 30 shows por mês.

Atualmente cursa Técnico em Contrabaixo na Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA), buscando unir a experiência adquirida nos palcos à formação acadêmica. Além de músico, mantém o “homestudio A Toca do Lobo”, dedicado à produção musical de artistas independentes. Seu estilo marcante, envolvente e com forte presença de palco também se tornaram parte da identidade visual da banda.

Na bateria está Juninho Uchôa, profissional que iniciou sua carreira em 1995.Ao longo de mais de três décadas percorreu diferentes estilos do axé ao sertanejo, passando pelo pagode, brega e bandas de baile acumulando experiências em grupos como Tanakara, Timbauê, Dbobeira e Medida Provisória. Em 2015 participou das audições do programa SuperStar, da TV Globo, experiência que ampliou ainda mais sua trajetória profissional.

Nos bastidores, quem garante a qualidade sonora é Marcus Cabral, conhecido como Marquinho Cabral. Natural de Macapá, iniciou sua carreira como tecladista antes de migrar para a produção musical e engenharia de áudio. Ao longo de sua trajetória trabalhou com artistas como Nilson Chaves, Vital Lima, Lucinha Bastos, Sebastião Tapajós, Salomão Habib, Álibi de Orfeu e Cravo Carbono, além de atuar em festivais nacionais e projetos de gravação, mixagem e masterização.

Completam a equipe os roadies Adilson e Felipe, responsáveis por transformar toda a estrutura técnica em um espetáculo preciso. Adilson soma cerca de oito anos de experiência em produções musicais e já integrou equipes de artistas como Massara, Dany Antunes e Beny Pérola Negra.

Felipe encontrou a profissão de maneira inesperada. Depois de crescer cercado pela música e tocar em bandas e pequenas orquestras, aproximou-se da equipe de Aline após uma conversa despretensiosa ao fim de um treino de jiu-jítsu. O convite para acompanhar alguns shows transformou-se em uma nova carreira. São profissionais que raramente aparecem sob os refletores, mas que ajudam a construir cada apresentação.

Aline Alves, cantora que mistura brega e rock, se apresentando ao vivo em Belém.
Foto: Arquivo pessoal

A participação no Capital Moto Week representa mais do que um show. Entre quase mil bandas inscritas de todas as regiões do país, Aline Alves foi escolhida para integrar a programação oficial do festival, reconhecimento que confirma a força de um trabalho desenvolvido em Belém e projetado para o cenário nacional. Sua trajetória também reflete os caminhos da música brasileira contemporânea.

Aline Alves atravessou estados, estilos e desafios para construir sua identidade. Agora, leva consigo uma banda, uma equipe e uma sonoridade que nasceram na Amazônia, mas que já começam a encontrar espaço em todo o Brasil.

Talvez o maior termômetro do sucesso, não esteja apenas nos palcos ou nos números de sua agenda. Ele aparece no carinho do público, pois ao longo dos últimos anos, a cantora construiu uma relação de proximidade rara com seus fãs.

Aline Alves, cantora que mistura brega e rock, se apresentando ao vivo em Belém.
Foto de arquivo pessoal

Com mais de 27 mil seguidores que acompanham diariamente sua trajetória nas redes sociais, celebram cada conquista, compartilham seus lançamentos e transformam cada apresentação em um encontro marcado. Nos shows, esse vínculo fica ainda mais evidente, com casas lotadas, plateias que cantam do início ao fim e uma recepção calorosa fazem parte da rotina da banda, que encontrou no afeto do público uma das maiores confirmações de que está no caminho certo.

O reconhecimento vai além do talento musical. Ele nasce da forma como Aline se entrega em cada apresentação, da simplicidade com que conversa com quem a acompanha e da conexão construída ao lado de uma equipe que divide o palco e os bastidores como uma verdadeira família.

Em Brasília, quando as luzes do palco principal se acenderem, Aline Alves e sua banda não estarão sozinhos. Ao lado deles estará uma legião de fãs que transformou admiração em afeto e fez dessa história um sucesso compartilhado um sucesso que, ao que tudo indica, está apenas começando.

Jornalista
Jornalista apaixonada por música, cultura e comunicação, une experiência institucional e olhar estratégico para transformar informação em conexão.