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Asas da Vingança: Como a HQ resgata a essência dos fanzines e do punk paulistano

Capa da HQ Asas da Vingança mostrando a arte influenciada pelo punk e fanzines.
Capa da HQ Asas da Vingança com estética punk. Foto/Emerson Coe

A HQ Asas da Vingança resgata a estética dos fanzines paulistanos dos anos 80, unindo a violência urbana das gangues com a essência do movimento punk.

O fanzine Asas da Vingança número 4, intitulado “Até aqui tudo bem…”, marca o retorno da rítmica aventura punk/hardcore ambientada no submundo paulistano. Após um hiato maior entre as publicações, o autor Fralvez entrega uma edição maior. Neste volume, a narrativa desdobra novas camadas sobre a trama, permitindo que o leitor imagine a ação e o suspense de forma pulsante entre cada sarjeta e quadrinho. Na história, o conflito ao redor de Cu de Bazuca atinge o ápice, colocando a gangue que impulsionada pelo desejo de vingança de Shaolin fica à beira de uma perigosa emboscada.

Capa da HQ Asas da Vingança mostrando a arte influenciada pelo punk e fanzines.
Personagem Shaolin e sua ânsia por vingança embalam o enredo da HQ. Foto/Emeson Coe

Mergulhar na leitura desta obra é o equivalente a caminhar pela São Paulo das décadas de 1980 e 1990, quase permitindo ouvir as batidas e os acordes do punk e do hardcore ecoando pelas páginas. A HQ presta uma homenagem visceral às subculturas urbanas, misturando a estética do pixo e a vida noturna em um ambiente onde a paz é um conceito frágil. A influência do clássico filme Selvagens da Noite (The Warriors, 1979) obra seminal para o movimento punk paulistano sobressai na caracterização da gangue dos “Freaks”, que precisa enfrentar crises internas e ameaças externas em um cenário de perigo constante.

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Capa da HQ Asas da Vingança mostrando a arte influenciada pelo punk e fanzines.
A paz é um artigo de luxo em “Asas da Vingança”. Foto/Emerson Coe

O grande trunfo de Fralvez é o uso consciente do contraste visual. O traço caricato e lúdico contrasta diretamente com uma realidade crua, urbana e violenta. Essa dualidade estético-narrativa, herdada de publicações da época como a Animal e Porrada!, faz com que o choque da violência seja ainda mais intenso para o leitor. A opção pela publicação em preto e branco reforça a atmosfera noir e a essência punk DIY (Do It Yourself) da produção independente. Além disso, a estrutura narrativa é conduzida com um ritmo quase musical, intercalando silêncios, acelerações e pausas estratégicas que dão a exata medida da urgência da rua.

Para além do confronto físico e da pancadaria entre gangues rivalizadas, a obra é movida por relações interpessoais profundas, fundamentadas em memórias de juventude do próprio autor. O tema central que sustenta a narrativa é a amizade e a lealdade, testadas ao limite sob condições de extrema pressão.

A publicação se consolida como uma obra original do quadrinho nacional, unindo registro histórico de influências urbanas e liberdade criativa. Ao mesclar a urgência do movimento independente com reflexões pessoais, o título se torna uma leitura recomendada para fãs de histórias de gangues, colecionadores de fanzines e entusiastas da cultura de rua.

Capa do Quadrinho
4.5
/5.0*
Lido
  • 🏢 Editora: Editora Pé de Cabra
  • ✒️ Autor/Equipe: Fralvez
  • 📖 Páginas/Formato: Formatinho 30 páginas
  • 💵 Preço Médio: R$ 15,00
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Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.