Nova coletânea francesa reúne lendas dos quadrinhos mundiais, incluindo participação brasileira, para apoiar jornalistas em zona de conflito.
A arte como resistência: o projeto que mobiliza a elite das HQs
A arte sempre funcionou como um espelho crítico da realidade, mas poucas vezes vimos uma mobilização tão expressiva e urgente na indústria editorial. Chegou às livrarias francesas a coletânea “100 Dessins pour Gaza”, lançada pela editora Massot, que transforma o traço de grandes artistas em uma ferramenta de apoio humanitário direto.
O projeto, viabilizado por meio de financiamento coletivo, superou as expectativas iniciais ao reunir 126 desenhos de colaboradores de todo o planeta. O idealizador do livro, Jérôme Sié, revelou que a iniciativa surgiu do incômodo com a falta de jornalistas internacionais em Gaza, buscando oferecer uma perspectiva profundamente humana sobre o conflito.

Um “quem é quem” da nona arte
O time escalado para a obra impressiona qualquer fã de cultura pop e jornalismo gráfico. Entre os nomes de peso, destacam-se Art Spiegelman (o lendário autor de Maus) e Joe Sacco, o mestre do jornalismo em quadrinhos. A lista segue com talentos como Emil Ferris, Sophie Crumb e a artista palestina Safaa Odah.

O Brasil também garantiu sua voz nessa união global. A cartunista Fabiane Langona, conhecida pelo trabalho em “Viver Dói”, participa da coletânea. Em suas redes sociais, Langona enfatizou que o livro é uma união de forças para explicitar e denunciar os horrores vividos na Palestina.
Apoio real para quem está no front
Mais do que um item de colecionador, a obra tem um propósito prático e vital. Toda a renda obtida com as vendas e os royalties será doada integralmente para o Sindicato dos Jornalistas Palestinos e suas famílias.
A logística financeira do projeto é transparente: cada exemplar é vendido por 23€, sendo que o lucro de 5€ por unidade é destinado aos profissionais de comunicação em uma parceria com a UNESCO. Esse auxílio chega em um momento devastador para a imprensa local; dados indicam que a guerra já resultou na morte de 250 jornalistas e deixou outros 530 feridos na região.
Com “100 Dessins pour Gaza”, a comunidade internacional de quadrinistas prova que o papel e o nanquim ainda são armas poderosas contra o silenciamento e a injustiça.




