dezembro 31, 2025
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Censo 2025 dos Profissionais de Quadrinhos revela o berço da próxima geração de artistas brasileiros

HQs no Brasil: O novo mapa que mudou tudo no Censo 2025. Imagem/Reprodução

Dados coletados pelo Censo Nacional de 2025 apontam para uma transformação profunda na demografia da nona arte no país.

Se você costuma frequentar os Artists’ Alleys das grandes convenções, sabe que a energia por trás das mesas de autógrafos é o que mantém o coração da nona arte batendo. Por décadas, a imagem do quadrinista profissional no Brasil foi estática: quase sempre um homem cis, branco, morador de São Paulo e formado em Design. Mas o Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico 2025, organizado por nomes como Lucio Luiz e Guilherme Smee, acaba de passar um “corretivo” nessa percepção antiga.

A pesquisa, que alcançou 831 respostas voluntárias, traz uma radiografia técnica rigorosa, com margem de erro de apenas 3,4%. O que os dados revelam é um mercado em ebulição, mas que ainda luta contra a gravidade financeira: para 71,84% dos profissionais, os quadrinhos ainda não pagam todos os boletos. Contudo, a diversidade está chutando a porta. A comunidade LGBTQIAP+ já representa quase 30% da categoria, e o abismo racial, embora persistente, começa a ser desafiado por novas vozes que surgem fora dos grandes centros urbanos do Sudeste.

O Sudeste ainda concentra o maior volume bruto de profissionais (48,86%), mas o mito de que o artista precisa migrar para São Paulo para “vencer” está morrendo. Menos de 10% dos quadrinistas que vivem no Sudeste hoje vieram de outras regiões, indicando que o talento está escolhendo fincar raízes e criar seus próprios ecossistemas locais. Esse enraizamento gerou um fenômeno de multifuncionalidade: o autor moderno é roteirista, desenhista e editor de si mesmo, utilizando as redes sociais como sua principal vitrine e o financiamento coletivo como sua gráfica particular.

Dados coletados pelo Censo Nacional de 2025 apontam para uma transformação profunda na demografia da nona arte no país. Fonte: Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico 2025

Entretanto, o dado mais eletrizante do Censo 2025 não vem das capitais tradicionais, mas de um horizonte que o mercado editorial mainstream costumava ignorar. Existe uma região onde a renovação não é apenas uma tendência, mas um fato estatístico avassalador. Enquanto o restante do país vê uma predominância de veteranos, é na Região Norte que o futuro dos quadrinhos brasileiros está sendo desenhado hoje: 35% de seus quadrinistas têm até 20 anos, uma taxa de juventude sem paralelos no Brasil. Com a maior presença de artistas indígenas do país (25%) e uma escolaridade alta (40% com pós-graduação), estados como Pará e Amazonas deixaram de ser a “margem” para se tornarem o polo mais efervescente e autossustentável da nova nona arte nacional.

Editor
Ilustrador, cartunista e quadrinista com mais de 30 anos de carreira. Premiado internacionalmente, destaca‐se pela crítica ácida e humor irreverente. Agora, como editor do HQPOP, ele traduz a cultura pop com ousadia e criatividade.

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