Zines against the machine: a resistência contra a censura
Publicações artesanais (os fanzines) ressurgem como forma de resistência política e dão um nó nos algoritmos e na censura digital nos Estados Unidos.
Em um mundo dominado por algoritmos e vigilância constante, a revolução não está sendo tuitada — ela está sendo grampeada em papel sulfite. O movimento DIY (Do It Yourself) dos fanzines, que teve seu auge no punk das décadas de 80 e 90, vive um ressurgimento explosivo como uma ferramenta de resistência política.
Recentemente, o portal de jornalismo investigativo 404 Media anunciou a criação de um zine de 16 páginas, impresso em estêncil, focado em expor as táticas de vigilância utilizadas pelo ICE (serviço de imigração dos EUA). A ideia é simples e poderosa: entregar informação vital diretamente nas mãos das pessoas, sem passar pelo filtro ou pela censura das grandes empresas de tecnologia.
O medo do sistema pelo “baixa tecnologia”
A força dessas publicações é tanta que o governo começou a olhar para o papel com desconfiança. Um caso que chocou a comunidade artística foi a prisão do tatuador e ativista conhecido como Des Revol. Durante uma operação, o FBI utilizou uma caixa de fanzines encontrada em sua caminhonete como “prova” de obstrução de justiça.
O que para muitos é arte e informação, para as autoridades tornou-se um item incriminatório. Esse fenômeno reflete como os zines de resistência conseguem criar espaços seguros para comunidades marginalizadas expressarem suas realidades fora do alcance do rastreamento digital e do doxing.
Por que o papel?
A resposta está na tangibilidade. Diferente de um post que desaparece no feed ou é derrubado por um moderador de IA, o zine físico pode ser passado de mão em mão, doado a sebos ou esquecido propositalmente em cafés para ser descoberto por estranhos.
Em cidades como Los Angeles e Chicago, “festas de dobradura” de zines tornaram-se eventos sociais e terapêuticos. Nessas reuniões, pessoas de todas as idades — da Geração Z a veteranos do movimento — se unem para criar guias de como agir em batidas policiais ou como proteger vizinhos vulneráveis.
Cultura Pop e Ativismo
Embora os zines tenham começado como “fanzines” de ficção científica na década de 1930, eles sempre foram inerentemente políticos ao imaginar novos mundos e questionar o status quo. Agora, o formato retorna para provar que, às vezes, a tecnologia mais eficiente para combater a repressão é aquela que não precisa de bateria, mas sim de coragem e uma impressora doméstica.
Como uma conversa que não pode ser grampeada, o zine é o sussurro que vira grito quando o ambiente digital se torna hostil demais para a verdade.
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