Cinema

Oscar 2026: Guerreiras do K-pop faz história e gera revolta

EJAE, Rei Ami e Audrey Nuna brilham no tapete vermelho do Oscar 2026 antes da vitória histórica da faixa “Golden”. Imagem/Reprodução

O longa da Netflix levou duas estatuetas e quebrou recordes de décadas, mas um corte abrupto no palco deixou os fãs e as redes sociais furiosos.

A noite em que o K-pop dominou Hollywood

A 98ª edição do Oscar consolidou o fenômeno global de Guerreiras do K-pop (Kpop Demon Hunters). O longa da Netflix não apenas encantou o público, mas saiu vitorioso nas duas categorias em que foi indicado: Melhor Longa-Metragem de Animação e Melhor Canção Original por “Golden”.

A vitória de “Golden” é um marco para a indústria fonográfica e cinematográfica. A faixa, interpretada por EJAE, Audrey Nuna e Rei Ami, já havia dominado a Billboard Hot 100 por oito semanas e conquistado um Grammy inédito para o gênero. No palco do Oscar, a canção quebrou um jejum de 20 anos, tornando-se o primeiro hit número 1 das paradas a vencer a estatueta desde “Lose Yourself”, de Eminem, em 2002.

Recordes e representatividade no palco

“Golden” ganhou o Oscar de Melhor Canção Original, com o filme da Netflix levando o Oscar em ambas as categorias indicadas. Foto/Reprodução.

A produção também estabeleceu um novo padrão de colaboração na Academia. “Golden” tornou-se a música com o maior número de compositores creditados a vencer a categoria, somando sete autores. Devido às regras rígidas da Academia, o grupo assinou um acordo para compartilhar uma única estatueta física, embora todos sejam oficialmente vencedores do Oscar.

A diretora Maggie Kang, visivelmente emocionada, dedicou a vitória “aos coreanos de todos os lugares”. Em seu discurso, ela destacou a importância da representação, afirmando que o filme permite que as próximas gerações não precisem mais crescer “ansiando por se verem” nas telas. O impacto cultural foi visível durante a performance da música, que contou com elementos tradicionais como o hanbok e uma dupla de pansori, enquanto astros como Leonardo DiCaprio e Steven Spielberg agitavam light sticks na plateia.

A polêmica: silenciamento e críticas à produção

Apesar do clima de celebração, a cerimônia foi alvo de duras críticas nas redes sociais. Enquanto os diretores Maggie Kang e Chris Appelhans conseguiram fazer seus discursos, o time de compositores de “Golden” foi abruptamente interrompido pela orquestra.

A cantora e compositora EJAE conseguiu falar brevemente sobre resiliência e o orgulho de ouvir letras em coreano no Oscar, mas o co-compositor Yu Han Lee foi cortado assim que começou a ler seu discurso preparado.

O público no X (antigo Twitter) e no Instagram não poupou críticas à Academia, apontando que esquetes de comédia longas como a participação do elenco do filme Missão Madrinha de Casamento ocuparam tempo excessivo, resultando no corte injusto de um momento único para os artistas sul-coreanos. “Eles cortaram o discurso sabendo que o esquete do Adrien Brody viria logo depois? Absolutamente repugnante”, protestou um internauta.

O futuro da franquia

Mesmo com a controvérsia, o sucesso de Guerreiras do K-pop é inegável. O filme já havia acumulado vitórias no Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards antes de chegar ao ápice no Oscar. Para os fãs que querem mais da jornada do grupo fictício Huntr/x contra as forças demoníacas, a notícia é boa: a Netflix já confirmou que uma sequência está em desenvolvimento.

A vitória de “Golden” e do filme prova que a cultura pop coreana transcendeu fronteiras linguísticas para conectar corações globalmente, como bem destacou o presidente sul-coreano Lee Jae Myung em nota oficial.

Editor
Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.