janeiro 23, 2026
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DC Comics resgata o humor da revista MAD em especial de luxo

Alfred E. Neuman encontra a Liga da Justiça: a tradição da sátira retorna em 64 páginas de conteúdo inédito sob o selo da DC Comics. Imagem/Reprodução DC Comics

A DC Comics anunciou “MAD about DC”, um especial inédito que resgata a sátira ácida da revista MAD com estrelas como Scott Snyder e Mark Waid.

Em um movimento que une nostalgia e a irreverência ácida que marcou gerações, a DC Comics anunciou o lançamento de “MAD about DC”, uma edição especial que promete reviver a tradição das sátiras de super-heróis no melhor estilo da lendária revista MAD. O anúncio não é apenas um aceno aos fãs de longa data, mas um posicionamento estratégico da editora em um momento em que a cultura pop muitas vezes se leva a sério demais. Ao colocar seus maiores ícones sob a lente do deboche, a DC reafirma a importância da autocrítica e do humor transgressor no mercado de quadrinhos atual.

Garoto propaganda da revista MAD, Alfred E. Neuman, com vários heróis como Super-Homem, Batman, Coringa, Arlequina e Mulher-Maravilha surgindo de sua cabeça.

A DC Comics confirmou para o dia 1º de abril o lançamento de um one-shot de 64 páginas intitulado “MAD about DC”. A edição, que ainda não possui previsão de lançamento no mercado brasileiro, será capitaneada pelo roteirista e artista Chip Zdarsky, atuando como editor. O projeto reunirá um verdadeiro “time dos sonhos” da indústria, incluindo nomes como Mark Waid, Gail Simone, Scott Snyder, Tom Taylor e Kelly Sue DeConnick, todos focados em parodiar o universo de heróis da casa.

A revista MAD é um pilar do humor satírico nos EUA desde a década de 19502. Embora a publicação pertença à Warner (e consequentemente esteja sob o guarda-chuva da DC) desde os anos 70, foi apenas em 2018 que a DC passou a publicá-la oficialmente. Atualmente, a MAD circula majoritariamente com material de arquivo, o que torna este especial inédito um evento raro e relevante para o mercado. Segundo a editora-chefe da DC, Marie Javins, o objetivo é manter viva a “tradição para sátira afiada e sem medo” que define a marca.

No Brasil, a MAD possui um histórico de resiliência e adaptação cultural profunda. Desde 1974, a revista passou por editoras como Vecchi, Record, Mythos e Panini. O grande diferencial da versão brasileira, sob a batuta de Otacílio de Assunção Barros, o Ota, foi a criação de conteúdo nacional que dialogava com a realidade do país, indo além da simples tradução. O anúncio deste novo especial nos EUA gera expectativas sobre como a DC lidará com sua propriedade intelectual em uma era de marcas altamente protegidas, e se haverá espaço para uma nova investida editorial em solo brasileiro, onde a revista teve sua última fase encerrada em 2017.

O retorno de MAD, mesmo que em um formato especial, é um respiro necessário. Em um cenário dominado por universos cinematográficos rígidos, permitir que autores do primeiro escalão como Scott Snyder e Tom Taylor desconstruam suas próprias criações é um sinal de maturidade editorial.

A escolha de Chip Zdarsky para editar o volume é precisa; Zdarsky transita entre o drama e o humor absurdo com facilidade, sendo a voz ideal para mediar essa “sátira sem medo” mencionada por Javins. O desafio, no entanto, será equilibrar o saudosismo do formato clássico da MAD com a sensibilidade humorística contemporânea. O HQPOP avalia que este movimento pode ser um balão de ensaio para testar o interesse do público em novos materiais satíricos, fugindo da dependência de republicações de arquivo que domina a marca atualmente.

O mercado deve observar atentamente os números de venda de “MAD about DC”. Se o desempenho for satisfatório, é provável que a DC transforme o especial em uma série de edições anuais ou sazonais. Para os brasileiros, o foco recai sobre a Panini, que detém os direitos de publicação da DC no país e foi a última casa da MAD por aqui. Fica a expectativa de que o material chegue ao Brasil em formato de encadernado, respeitando a tradição de sátira que Ota ajudou a consolidar.

Em um mundo onde o cancelamento e o rigor das marcas limitam a liberdade criativa, a MAD ainda consegue ser a “criança terrível” dos quadrinhos? Ou será que a sátira oficial, feita pela própria dona dos personagens, perde parte de seu veneno original?

Você acha que os heróis da DC ainda conseguem rir de si mesmos ou a era de ouro da sátira ficou no passado?


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