janeiro 26, 2026
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Há 34 anos, Belém celebrava seu primeiro Dia do Quadrinho Nacional. Relembre.

Registro histórico do grupo Ponto de Fuga: a união de jovens que colocou Belém no mapa da nona arte brasileira. Foto/Acervo

Descubra como o grupo Ponto de Fuga transformou a Casa da Linguagem no marco zero da resistência e da produção de quadrinhos no Pará.

Há 34 anos, um momento marcou para sempre a cultura pop…

Em uma tarde de 1992, o que parecia ser apenas um encontro de jovens fãs de HQs na Casa da Linguagem tornou-se o marco inicial de um movimento que transformaria o Pará em um polo de criatividade. Há exatos 34 anos, o grupo Ponto de Fuga organizava a primeira celebração do Dia do Quadrinho Nacional em Belém, provando que a paixão pela arte sequencial poderia romper o isolamento geográfico.

Cartaz do 1º Dia do Quadrinho Nacional de 1992 em Belém. Foto/Acervo Ponto de Fuga.

O marco de 1992 foi o ápice de um movimento iniciado em 1990, fruto de uma oficina ministrada pelo desenhista Joe Bennett e pelo roteirista Gian Danton no Centur. Naquela primeira edição histórica, o grupo realizou exposições, exibições de vídeos e o lançamento de fanzines, com o objetivo ousado de transformar Belém em um centro produtor para a região Norte. Em uma era sem internet, a comunicação era feita por cartas escritas à mão e as informações vinham das bancas de revistas. O grupo, formado majoritariamente por jovens com menos de 18 anos, bancava suas edições com a venda de cópias em xerox, comercializadas de mão em mão.

Grupo Ponto de Fuga circa 1991. Foto/Acervo Ponto de Fuga

A trajetória iniciada na Casa da Linguagem e na Fundação Curro Velho não foi apenas sobre desenhos, mas sobre a construção de uma identidade cultural. Para os fundadores, como Luiz Cláudio Martins Negrão, aquele não era apenas um movimento em defesa do quadrinho nacional, mas a chance de “encontrar pessoas que falavam a mesma língua” e que compartilhavam o sonho de viver de arte. Esse pioneirismo pavimentou o caminho para que a produção local ganhasse maturidade e respeito.

A evolução é nítida quando comparamos os fanzines dos anos 90 com a estrutura atual da cena paraense. O Ponto de Fuga inaugurou a articulação coletiva, migrando de reuniões em espaços públicos até a conquista de sedes próprias, como na Morada da Arte. Essa semente permitiu que Belém deixasse de ser apenas consumidora para se tornar uma exportadora de talentos, influenciando gerações que hoje ocupam grandes editoras e eventos de massa.

A celebração de 34 anos do Dia do Quadrinho Nacional em Belém é um tributo à resiliência. Enquanto o marco histórico nacional remete ao pioneirismo de Angelo Agostini em 1869 com Nhô-Quim, a versão paraense celebra o “faça você mesmo”. O Ponto de Fuga não tinha noção da magnitude de seus atos na época, mas eles garantiram que a identidade visual da Amazônia fosse contada em quadros e balões. Hoje, o quadrinho paraense é um movimento artístico organizado e pulsante.

Para celebrar esse legado, no dia 30 de janeiro de 2026, às 17h, acontece a Roda de Conversa do Dia do Quadrinho Nacional, no Auditório Aloysio Chaves (3º andar do Centur), em Belém. O encontro abordará a comemoração do Dia do Quadrinho em Belém desde 1992 e apresentará a programação da XII Semana do Quadrinho Nacional e do Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026. Participam da conversa TAI, Luís Cláudio Negrão, Andrei Miralha, Mandy Modesto, Leo Dressant, Valeria Aranha e Jorge Ramos, reunindo diferentes gerações para debater memória, produção local e os próximos passos do cenário quadrinístico amazônico.

Conte para nós: você ainda guarda algum fanzine histórico dessa época ou faz parte da nova geração que está produzindo agora? Deixe seu comentário e participe dessa história!


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Editor
Ilustrador, cartunista e quadrinista com mais de 30 anos de carreira. Premiado internacionalmente, destaca‐se pela crítica ácida e humor irreverente. Agora, como editor do HQPOP, ele traduz a cultura pop com ousadia e criatividade.

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