Música

Álibi de Orfeu, quase quatro décadas de resistência fazem da banda um dos maiores símbolos do rock amazônico

Banda Álibi de Orfeu realizando um show ao vivo no Teatro Experimental Waldemar Henrique.
Álibi de Orfeu se apresenta no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Foto/Divulgação

Grupo paraense une hard rock, teatro e ritmos da Amazônia em uma trajetória marcada pela inovação, identidade cultural e protagonismo na cena autoral brasileira.

Poucas bandas conseguiram construir uma identidade tão própria dentro do rock paraense quanto o Álibi de Orfeu. Com uma história iniciada no fim da década de 1980, o grupo atravessou diferentes gerações sem abrir mão da essência fazer um rock pesado, autoral e profundamente conectado à cultura amazônica.

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Mais do que uma banda, o Álibi de Orfeu tornou-se uma referência artística por transformar elementos da música regional como o lundu, o carimbó de raiz e outras matrizes rítmicas amazônicas em parte fundamental de sua sonoridade. O resultado é um trabalho que foge dos padrões do rock convencional e reafirma a identidade cultural do Pará dentro da música brasileira.

Foto: Victor Estácio

A trajetória começou oficialmente em 1988, quando o grupo realizou uma série de apresentações no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Após reformulações na formação e na proposta musical, a banda lançou, em 1992, seu primeiro álbum em vinil, produzido por Edgard Scandurra, guitarrista da histórica banda Ira, um reconhecimento importante para um grupo independente da região Norte.

Ao longo dos anos, a banda ampliou seus horizontes musicais sem abandonar suas raízes. O disco “Só Veneno” lançado em 2006, apresentou uma mistura refinada de hard rock, pop e MPB, consolidando uma linguagem musical própria.

A grande virada artística veio com “Desterro” álbum conceitual lançado em 2018. Inspirado em histórias vividas na Amazônia, o trabalho acompanha a trajetória de uma jovem ribeirinha obrigada a abandonar sua terra por causa da violência, da exploração e dos conflitos fundiários, encontrando uma nova realidade nas grandes cidades.

A obra vai além da música. Transformou-se em uma ópera rock que reúne teatro, dança e audiovisual, reafirmando o compromisso do Álibi de Orfeu com produções artísticas de grande alcance cultural. O álbum chegou a despertar interesse acadêmico e tornou-se objeto de pesquisa sobre o ensino da História da Amazônia por meio da música.

Abertura Show Engenheiros do Hawaii

Durante sua caminhada, a banda dividiu palco com artistas que marcaram a história do rock nacional, como IRA, Engenheiros do Hawaii, Cidade Negra, Detonautas, Pitty, Capital Inicial, Paulo Ricardo, Fernanda Abreu, Sepultura, Skanke Cássia Eller.

Um dos momentos mais emblemáticos aconteceu nas comemorações dos dez anos do Circo Voador, no Rio de Janeiro, quando a banda realizou uma apresentação memorável ao lado de Cássia Eller, reforçando sua relevância no cenário brasileiro.

Lohane Takeda (vocal)

Uma das marcas registradas da banda sempre foi a presença feminina nos vocais. Ao longo das décadas, diversas cantoras contribuíram para a construção da identidade artística do grupo, característica que ajudou a diferenciar o Álibi de Orfeu dentro da cena do rock nacional.

A formação atual reúne Sidney KC (contrabaixo e backing vocal), Rui Paiva (bateria e percussão), Rafael Mergulhão(guitarra, violão e backing vocal),
André Sassim (guitarra, violão e backing vocal) e Lohane Takeda, nos vocais principais, mantendo viva uma história construída ao longo de quase quatro décadas.

Mesmo após tantos anos de estrada, o grupo continua produzindo material inédito. Em 2025 lançou o álbum “3.8”, reunindo músicas inéditas e novas versões de clássicos da carreira, reafirmando a proposta de unir o peso do rock às influências amazônicas que sempre marcaram sua identidade.

Em 2026, a importância do Álibi de Orfeu ganhou um reconhecimento histórico: sua obra foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém, homenagem que celebra décadas de contribuição para a música, para a cultura amazônica e para o fortalecimento do rock produzido na região Norte.

Mais do que resistir ao tempo, o Álibi de Orfeu demonstra que o rock amazônico continua pulsando com personalidade própria. Entre guitarras, poesia e ritmos ancestrais, a banda segue escrevendo uma história que ultrapassa os palcos e se consolida como parte da memória cultural do Pará.

Serviço:

Data e Local: A apresentação ocorrerá no dia 8 de agosto de 2026, às 20h, no Teatro do Sesi, situado na Avenida Almirante Barroso, 2540.

As vendas ocorrem via plataforma Sympla ou na bilheteria do Teatro do Sesi.

Ingresso Solidário: R$ 20,00 + 1 kg de alimento não perecível (os alimentos serão doados à AVAO Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia). Combo Especial:R$ 70,00 (inclui 1 ingresso + camisa exclusiva). Inteira:R$ 60,00. Meia-entrada: R$30,00.

A apresentação revisitará a trajetória da banda e incluirá músicas que marcaram sua história, abordando temas políticos, ambientais e da cultura amazônica, além de contar com participações especiais e recursos tecnológicos. Contato: Para mais informações, o contato de assessoria de imprensa é Lorena Palheta, pelo telefone (91) 98087-0624.

Jornalista
Jornalista apaixonada por música, cultura e comunicação, une experiência institucional e olhar estratégico para transformar informação em conexão.