junho 20, 2026
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Prêmio Mapinguari: 3ª edição celebra as HQs do Norte

O Prêmio Mapinguari retorna em sua 3ª edição para dar visibilidade aos talentos nortistas. Foto/Reprodução

Confira a lista de indicados da 3ª edição do Prêmio Mapinguari. Descubra como a produção da região Norte está transformando o cenário nacional da HQ.

A Força da Amazônia: Prêmio Mapinguari Revela Indicados da 3ª Edição

Quem disse que “Os ventos do norte não movem moinhos”, para a surpresa de quem ignora o que acontece fora do eixo Rio/São Paulo, movem sim! O Prêmio Mapinguari de Quadrinhos acaba de anunciar os indicados de sua 3ª edição, reafirmando seu papel como vitrine e motor de fomento para a produção regional. Criado em 2022 com o apoio de editais culturais de Manaus, o prêmio nasceu de uma necessidade urgente: combater a histórica dificuldade de representação da região Norte em premiações nacionais.

Após uma 2ª edição marcante, que rompeu fronteiras ao realizar sua cerimônia presencial em São Paulo em 2025, a premiação retorna agora sob a coordenação do Mapingua Nerd e do projeto Norte em Quadrinhos. A expectativa para este ano é consolidar o evento como um item fixo no calendário anual da cultura pop brasileira.

Os gigantes da rodada: principais indicados

A graphic novel Akitãi e os Caçadores de Mapinguari é uma das fortes candidatas. Imagem/Divulgação Romahs Estúdio

Nesta edição, as sete categorias refletem a maturidade técnica e narrativa dos artistas locais. Na categoria Melhor Quadrinho, obras como A batalha de Itacoatiara, “Akitãi e os caçadores de mapinguari” e “A batalha nas sombras despontam como fortes candidatas, mostrando uma diversidade que vai do épico histórico ao fantástico e o horror.

Chama a atenção o domínio de nomes como Laura Athayde e Raquel Teixeira, que aparecem indicadas em múltiplas frentes, incluindo Melhor Desenhista, Roteirista e Arte-finalista. Essa onipresença não é por acaso; reflete a versatilidade de autoras que controlam todas as etapas da criação, do roteiro à cor.

Laura Athayde é destaque pelo número de indicações. Foto/Reprodução

Surpresas e tendências: a academia encontra as HQs

Uma das grandes surpresas desta lista está na categoria Melhor Subproduto ou Adaptação de HQ. Ao lado de iniciativas como a “Sankoficina” e a Biblioteca de Zines, aparece a dissertação acadêmica “Distopia Neocabana”, de Keoma Calandrini.

Surpresa entre os indicados Keoma Calandrini, durante a Semana do Quadrinho Nacional do Pará. Foto/Emerson Coe

Isso sinaliza uma tendência interessante: o quadrinho nortista não está apenas nas bancas e livrarias, mas também sendo objeto de estudo e reflexão intelectual. Outro ponto relevante é o crescimento das Webtiras, com indicados como “Delírios do peixe frito” e “Meio período”, provando que a internet continua sendo uma forma de “furar a bolha” para novos talentos da região.

Para nós do HQPOP, o Prêmio Mapinguari destaca, o talento de artistas como Romahs e Felipe Furtado ficou restrito a nichos ou precisou “migrar” para ser reconhecido. Ao exigir que os concorrentes sejam naturais do Norte ou residentes há pelo menos dois anos, o prêmio protege e valoriza a identidade local.

A premiação revela que a indústria está se descentralizando. Iniciativas como o projeto Norte em Quadrinhos, que criou uma escola para fortalecer talentos da região, estão gerando frutos rápidos. O que vemos nos indicados de 2026 é um reflexo direto dessa profissionalização.

O Que Muda Agora?

A indicação ao Mapinguari já funciona como um selo de qualidade que impulsiona carreiras. Para os artistas citados, como Leonardo Dressant (indicado em três categorias por “A batalha nas sombras”), o reconhecimento abre portas para artistas e participação em grandes eventos, como o Circuito Amazônico de Quadrinhos.

A Batalha nas Sombras, quadrinho lançado pelo Mapuá Estúdio na Semana dos Quadrinhos. Foto/Divulgação.

O impacto imediato é o aumento do interesse do público e de investidores por narrativas que fogem do eurocentrismo e trazem a Amazônia como protagonista, seja no terror, na fantasia ou no cotidiano.

Esses nomes refletem apenas o talento nortista ou são a prova de que o centro da HQ nacional está mudando de endereço?

Lista Completa de Indicados (3ª Edição)

  • Melhor Desenhista: Romahs (A batalha de Itacoatiara), Raquel Teixeira (Heranças), Leonardo Dressant (A batalha nas sombras), Felipe Furtado (Encontre suas asas), Laura Athayde (Eu e a brisa), Felipe Oliver (Parkour).
  • Melhor Roteirista: Emerson Medina, Raquel Teixeira, Leonardo Dressant, Laura Athayde, Felipe Oliver, Romahs, Serena Veloso.
  • Melhor Arte-Finalista: Tieê Santos, Raquel Teixeira, Leonardo Dressant, Felipe Furtado, Laura Athayde, Felipe Oliver, Kaic Matheus.
  • Melhor Colorista: Raquel Teixeira, Felipe Furtado, Viviane Cavalcanti e Aivlis de Souza, Luana Góes.
  • Melhor Webtira ou Webquadrinho: Paulo Thiago (Delírios do peixe frito), Icehito (Meio período), Laura Athayde (Eu e a brisa), Heloilustra.
  • Melhor Subproduto ou Adaptação de HQ: Distopia Neocabana (Dissertação), Sankoficina, Biblioteca de Zines.
  • Melhor Quadrinho: A batalha de Itacoatiara, Semana do cão, A batalha nas sombras, Heranças, Encontre suas asas, Eu e a brisa, Sagrado, Akitãi e os caçadores de mapinguari.

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Editor
Emerson Coe é editor do portal HQPOP, especializado em quadrinhos, cultura pop e entretenimento.

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