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Como um quadrinista brasileiro se tornou estrela de uma das maiores editoras da Europa

Detalhe de uma das capas de Le Dernier Templier
Le Dernier Templier. Imagem/Reprodução

O quadrinhista paraense radicado em Paris participa de bate-papo gratuito no Sesc Ver-o-Peso para detalhar sua trajetória de mais de 20 anos nas grandes editoras europeias

No dia 20 de agosto, o auditório do Sesc Ver-o-Peso, em Belém, será palco de um reencontro histórico para o quadrinho paraense. O ilustrador e quadrinhista Miguel Lalor, um dos poucos brasileiros a consolidar uma carreira sólida no concorrido mercado franco-belga, participa de um bate-papo gratuito para compartilhar sua jornada: desde os primeiros fanzines em Belém até o lançamento de seu próximo álbum no prestigiado Museu d’Orsay, em Paris.

Miguel Lalor, quadrinhista paraense, no Sesc Ver-o-Peso.
O quadrinista Miguel Lalor. Foto/Reprodução

Uma aula de sobrevivência artística

O evento, que começa às 19h, terá como foco os mais de 20 anos de experiência de Lalor na Europa, período em que publicou mais de 10 álbuns por gigantes como a Dargaud e a Glénat. O encontro será mediado por Andrei Miralha, figura central da Semana do Quadrinho Nacional – Pará e amigo de longa data do artista.

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Diferente de um painel técnico convencional, o bate-papo promete uma abordagem visceral sobre o que significa “viver de arte”. Lalor deve detalhar o processo de envio de testes, as sucessivas negativas que enfrentou no início da carreira e como a persistência na prancheta o levou a ilustrar obras como a trilogia de fantasia Myrkos e a adaptação do best-seller Le Dernier Templier (O Último Templário).

Miguel Lalor, quadrinhista paraense, no Sesc Ver-o-Peso.
Le Dernier Templier (O Último Templário). Imagen/Reprodução

Para os aspirantes a quadrinhistas, ilustradores e entusiastas da cultura pop, o encontro é uma oportunidade rara de uma experiência direta com os bastidores de um dos maiores mercados de HQ do mundo. O mercado franco-belga é conhecido por seu rigor e sofisticação, e ter um paraense ocupando esse espaço serve como validação do talento regional.

A comunidade local, especialmente os frequentadores da Semana do Quadrinho Nacional, vê em Lalor um exemplo de que a “ousadia” aliada à técnica pode romper as barreiras geográficas. O debate também deve avaliar as diferenças estéticas e temáticas entre a produção brasileira e a francesa, oferecendo um panorama crítico sobre o mercado editorial global.

Do Ponto de Fuga ao estrelato internacional

Miguel Lalor, quadrinhista paraense, no Sesc Ver-o-Peso.
Grupo Ponto de Fuga circa 1991. Foto/Acervo Ponto de Fuga

Miguel Lalor não é um novato na cena. No início dos anos 90, ele fazia parte do grupo Ponto de Fuga em Belém, um coletivo que produziu fanzines e eventos independentes. Sua obra de maior impacto no Brasil foi a adaptação para os quadrinhos de Galvez, o Imperador do Acre, clássico de Márcio Souza.

Em 1999, Lalor deixou Belém com o sonho de viver de quadrinhos, passando por Lisboa antes de se radicar definitivamente em Paris em 2003. Desde então, ele desenhou desde aventuras históricas até séries policiais ambientadas no próprio Brasil, como Le Rédempteur.

O público aguarda ansiosamente por detalhes de seu mais novo trabalho, Impressions, Claude Monet, que tem lançamento previsto para setembro de 2026 no Museu d’Orsay. A obra simboliza o ápice de uma carreira que começou na UFPA e hoje ocupa os centros culturais mais importantes da França.

O bate-papo “Da Amazônia para a Europa” é mais do que um evento biográfico; é um guia prático para quem deseja navegar nas águas turvas do mercado internacional. Ao trazer Miguel Lalor de volta ao Sesc Ver-o-Peso, Belém reafirma sua posição como um celeiro de talentos que, armados com papel, nanquim e resiliência, são capazes de redesenhar o mundo.

Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.