A Rua é Noise reúne bandas de Belém em ato contra o avanço do fascismo
Delinquentes, Conflito, Buk e Beladona se apresentam nesta sexta-feira (23), no Anfiteatro da Praça da República, em manifestação que une música, política e resistência.

A música volta a ocupar as ruas de Belém como instrumento de expressão política e resistência. O projeto A Rua é Noise reúne as bandas Delinquentes, Conflito, Buk e Beladona em um ato que propõe ocupar o espaço público com música, posicionamento político e defesa de direitos sociais.

A programação começa às 17h, no Anfiteatro da Praça da República, e apresenta um recorte da diversidade da cena independente de rock da capital paraense. Mais do que um encontro de bandas, a proposta é transformar o palco em espaço de manifestação contra o avanço de pautas consideradas autoritárias e contra ameaças às conquistas sociais. Para os organizadores, a mobilização não se encerra nos períodos eleitorais.

A ideia defendida pelo movimento é de que a disputa política e social acontece cotidianamente e exige participação, organização e atenção permanente.“A Rua é Noise e o barulho do nosso som é nosso grito de guerra.”A programação também assume posicionamento diante de temas como o crescimento da violência política, do armamento, do racismo, da violência contra mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+, além de críticas ao avanço de discursos misóginos associados a grupos como incels e redpills.
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O manifesto que acompanha o evento também questiona o papel das grandes plataformas digitais na circulação de informação, a atuação das instituições políticas e os impactos de propostas de redução de direitos e serviços públicos. Nesse contexto, o rock aparece não apenas como trilha sonora, mas como linguagem histórica de contestação. Em Belém, uma cena marcada pela circulação independente, pela ocupação de espaços alternativos e pela diversidade de discursos encontra na rua mais uma possibilidade de transformar música em posicionamento.

Jayme Catarro, vocalista da banda Delinquentes, destaca que o momento atual também representa uma nova oportunidade para o rock brasileiro reafirmar seu posicionamento político e lembra episódios recentes de repressão e censura envolvendo a própria cena paraense.
“Nós estamos num momento mais uma vez histórico, onde, de um lado, temos o governo democrático e popular e, do outro, os representantes do ódio, da destruição e dos cortes. O rock brasileiro definitivamente mostrou sua força e seu lado no segundo turno, com vários artistas importantes se posicionando contra a tirania. Aqui em Belém não foi diferente, o rock está em várias frentes, se manifestando e mostrando sua cara. Esse ato de sexta vem para dizer, com todas as letras, a importância do nosso grito rebelde amazônico.”
A fala também recupera um episódio que marcou profundamente a cena independente de Belém: o processo envolvendo o Facada Fest, festival paraense que foi alvo de investigação após pedido do então ministro da Justiça, Sergio Moro, em 2020. O caso se estendeu por anos até a absolvição dos envolvidos, em 2026.

“Temos milhares de motivos para subirmos nesse palco para defender a nossa história. Um deles e, para mim, particularmente, o principal é o inquérito contra um festival nosso, o Facada Fest, a pedido do ministro do governo passado. Fomos absolvidos apenas recentemente, seis anos depois. Então, o ato de sexta-feira também é um grito contra a censura imposta pela família do nosso adversário.” Com diferentes trajetórias e sonoridades, Delinquentes, Conflito, Buk e Beladona representam parte dessa cena e chegam ao palco com uma proposta comum defender o direito à livre expressão, à manifestação política e à construção de uma sociedade mais democrática.Em tempos de disputas cada vez mais intensas sobre os rumos do país, A Rua é Noise aposta na velha vocação do rock para fazer barulho mas, desta vez, o barulho pretende ir além da música.
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