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Laranja Mecânica: um festival que ajudou a construir a cena alternativa no interior do Pará

Criado entre 2010 e 2011, em Capitão Poço, o festival nasceu da necessidade de bandas locais terem onde tocar e se transformou em um dos mais antigos encontros autorais e alternativos do interior paraense ainda em atividade

Laranja Mecânica: um festival que ajudou a construir a cena alternativa no interior do Pará

Antes de existir uma cena, é preciso que alguém decida criar espaço para ela acontecer. Em Capitão Poço, no nordeste do Pará, foi justamente assim que nasceu o Laranja Mecânica da necessidade de bandas locais encontrarem um lugar para tocar, apresentar suas próprias músicas e, principalmente, construir uma cena alternativa na cidade.

Em 2010 as bandas Imagem Distorcida, Esquadrão Cachorro Amarelo e Laranja Lo-Fi, deram vida ao festival, que surgiu de maneira quase orgânica, reunindo artistas que compartilhavam não apenas o desejo de subir ao palco, mas também a percepção de que era preciso movimentar a produção autoral fora dos grandes centros.

Banda Imagem Distorcida se apresentando no Festival Laranja Mecânica em Capitão Poço, Pará.
Banda Imagem Distorcida/ foto do festival em 2013

Ao longo dos anos, o Laranja Mecânica deixou de ser apenas um evento para se tornar parte da própria memória cultural de Capitão Poço. Atualmente, sua continuidade é mantida principalmente por integrantes da banda Los Pelicanos, que assumiram a responsabilidade de manter vivo um projeto que atravessou diferentes momentos da música independente paraense.

E há uma história curiosa por trás do nome. Apesar da associação quase inevitável com o clássico “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess e posteriormente adaptado para o cinema por Stanley Kubrick, a origem do nome do festival é bem mais local. A escolha é uma homenagem a Capitão Poço, conhecida como “Terra da Laranja”. A coincidência com a obra literária foi apenas uma feliz e talvez bastante apropriada coincidência.

A 12ª edição do Festival Laranja Mecânica acontece neste 17 de outubro, no Espaço de Eventos JCA, em Capitão Poço, reunindo nomes da cena independente em uma programação marcada pela diversidade e pela força da música autoral.

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O palco desta edição recebe as bandas Delinquentes, Morfina Punk e Oukás, além do artista Yanpzzz, ampliando o encontro entre diferentes sonoridades e gerações da produção alternativa. Mais uma vez, o festival reafirma sua proposta de criar um espaço para artistas que movimentam a cena independente e fortalecer a produção musical para além dos grandes centros.

Banda Imagem Distorcida se apresentando no Festival Laranja Mecânica em Capitão Poço, Pará.
Banda Delinquentes/ Foto aquivo pessoal

Mais de uma década depois, o Laranja Mecânica carrega um significado que vai além de sua programação. Em um cenário no qual muitos festivais independentes surgem e desaparecem conforme as dificuldades de produção, manter uma iniciativa autoral viva por tantos anos também é uma forma de resistência cultural.

Banda Imagem Distorcida se apresentando no Festival Laranja Mecânica em Capitão Poço, Pará.
Foto arquivo festival de 2025

O festival está entre os mais antigos e importantes eventos autorais e alternativos do interior do Pará que permanecem em atividades, ajudando a provar que a produção cultural não acontece somente na capital. Ela também nasce, cresce e encontra caminhos próprios nas cidades do interior.

Em 2026, o Laranja Mecânica retorna para mais uma edição, reafirmando sua vocação de reunir música, criação independente e a força de uma cena construída de baixo para cima

Mais do que um festival, o Laranja Mecânica é parte da história de uma cena que se recusou a esperar por espaço e decidiu criar o próprio palco.

Festival Presencial Classif. 16 anos Gratuito
Data: sáb, 17/10/2026
Horário: 19h
Atrações: Delinquentes, Morfina Punk, Oukás, Yanpzzz
Sobre o evento

Criado entre 2010 e 2011, em Capitão Poço, o festival nasceu da necessidade de bandas locais terem onde tocar e se transformou em um dos mais antigos encontros autorais e alternativos do interior paraense ainda em atividade

Danielle Bastos

Jornalista apaixonada por música, cultura e comunicação, une experiência institucional e olhar estratégico para transformar informação em conexão.

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