Saruzilla conquista categoria infantil com “O Menino e a Baleia”, consolidando a força dos quadrinhos da Amazônia no cenário nacional.
Talento da Amazônia: Saruzilla vence o 42º Troféu Angelo Agostini
A produção de quadrinhos da Região Norte alcançou um novo patamar de reconhecimento nacional com a vitória do artista amapaense Lucas Bitencourt, conhecido como Saruzilla, no 42º Troféu Angelo Agostini. Sua obra, “O Menino e a Baleia”, foi a grande vencedora na categoria Quadrinho Infantil, conforme anunciado em live na noite desta sexta-feira (29). O prêmio, um dos mais tradicionais e respeitados do Brasil, celebra a excelência da nona arte nacional.

Lançada em 2025, “O Menino e a Baleia” representa a primeira publicação profissional de Saruzilla, que possui anos de experiência em fanzines e plataformas digitais. A HQ é uma obra muda, apostando na força das imagens e em uma narrativa sensível para contar a história de um menino encantado por uma baleia no Rio Amazonas. A inspiração surgiu em 2024, após o artista observar o esqueleto de uma baleia jubarte no Museu Sacaca, em Macapá. Embora ambientada com referências do arquipélago do Bailique, a trama mergulha em um universo de fantasia e imaginação.
O Troféu Angelo Agostini, que contou com mais de 8.200 votos populares, destacou diversos talentos em sua 42ª edição. Além da vitória de Saruzilla, a premiação consagrou:
- Paulo Moreira: Vencedor em três categorias com “Boca de Siri” (Melhor Quadrinho, Desenhista/Roteirista e Capista).
- Helô D’Angelo: Venceu como Melhor Colorista e Letrista por “Heloquência”.
- Mestres do Quadrinho Nacional: Homenagem a Alice Ruiz, Ataíde Braz, Gilmar e Paula Mastroberti.
- Prêmio Jayme Cortez: Concedido ao 1º Circuito Amazônico de Quadrinhos, reforçando o movimento de fomento na região.
A vitória de Saruzilla é um marco para a cena de quadrinhos no Amapá, que vem se consolidando de forma independente. Para leitores e educadores, a obra premiada oferece uma experiência visual que resgata o imaginário popular amazônico, distanciando-se de padrões estéticos estrangeiros. Para a região Norte, ter sete representantes indicados nesta edição sinaliza o fim do monopólio criativo do eixo Rio-São Paulo e a afirmação da identidade cultural amazônida no cenário global.
A cerimônia presencial de premiação reunirá vencedores de duas edições para a entrega física dos troféus.
- Data: 28 de junho de 2026.
- Horário: 16h.
- Local: Casa de Cultura do Butantã, São Paulo.
- Evento: Entrega dos troféus da 41ª e 42ª edições e do Sophie Castille Awards.
A conquista de Saruzilla reafirma que a Amazônia é um berço de grandes narrativas. Ao levar o nome do Amapá para o topo de uma premiação nacional, o artista não apenas celebra uma vitória pessoal, mas impulsiona toda uma geração de criadores nortistas que buscam contar suas próprias histórias com autenticidade e excelência técnica.