O fanzine nº 8 de Capitão Açaí traz o herói de Ronaldo Rony enfrentando os vilões Granola e Chula em uma batalha épica para salvar a tradição do açaí
Capitão Açaí, o icônico defensor do Amapá criado pelo cartunista Ronaldo Rony, está de volta com o lançamento de seu fanzine nº 8 no início de 2026. Nesta nova aventura, o protagonista precisa proteger a tradição local contra a dupla Granola e Chula, vilões que tentam substituir o autêntico consumo do fruto por modismos passageiros. A publicação independente celebra mais de três décadas de uma das figuras mais autênticas das histórias em quadrinhos do Norte brasileiro.

A busca pela cuia perfeita
Nesta edição, o enredo foca em um conflito geracional e gastronômico. Os novos antagonistas representam forças opostas: um é dotado de força extrema e porte físico avantajado, enquanto a outra é descrita como uma figura “aguada” e sem vigor. Juntos, eles tramam o fim do consumo tradicional em favor de tendências efêmeras, forçando o protetor de Macapá a agir. Para vencer, o herói conta com seus instrumentos clássicos, a cuia e a colher contando além do auxílio luxuoso do caranguejo Cri-Cri, responsável por mantê-lo acordado após as refeições pesadas.
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O legado histórico de Capitão Açaí
Embora a criação oficial date de 12 de março de 1996, as primeiras aparições desse universo ocorreram em publicações independentes ainda nos anos 80, em Belém. A trajetória ganhou tração quando passou a ser publicada em tiras diárias no jornal A Província do Pará, consolidando-se como um símbolo da identidade paraense e amapaense. Ao longo dos anos, o autor conseguiu transformar um personagem inicialmente voltado ao público adulto em um fenômeno que encanta crianças e adultos por sua veia cômica e regionalista.
Impacto na cultura pop e educação
O diferencial desta obra é sua capacidade de transitar entre o entretenimento e o ensino formal. Em Macapá, as histórias foram adotadas como material pedagógico, demonstrando um potencial didático ímpar para tratar de costumes, linguajar e preservação cultural. Ao incorporar referências que vão de letras de música popular a hábitos cotidianos, como a sonolência após o almoço, o cartunista criou um espelho onde o leitor nortista se vê refletido com orgulho e bom humor.

O lançamento deste oitavo volume reafirma a resistência da produção independente no Brasil. Mais do que um simples gibi de super-herói, o trabalho de Rony funciona como uma crônica visual das transformações sociais de sua região. Ao defender o fruto sagrado contra as “modinhas”, a obra convida o público a valorizar as raízes que sustentam a identidade cultural de um povo, provando que o regionalismo é, na verdade, uma força universal.

- EDITORA: Independente
- AUTOR/EQUIPE: Ronaldo Rony / Ronaldo Rony
- PÁGS/FORMATO: 10 págs - Fanzine
- PREÇO MÉDIO: R$ 10.00
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