Dia da Matinta Perera: 5 livros essenciais para mergulhar no terror e no imaginário amazônico
Instituída por lei municipal em Belém para valorizar o imaginário da Região Norte, a data festiva é o momento ideal para conhecer obras que vão desde o clássico 'Visagens e Assombrações de Belém' até recontagens contemporâneas e poéticas da lenda.

Instituído oficialmente em Belém pela Lei Municipal nº 8.330, de 16 de junho de 2004, o Dia da Matinta Perera — acompanhado pela Semana Municipal de mesmo nome — foi criado para valorizar o patrimônio imaterial e o imaginário fantástico da Região Norte em contraponto a celebrações importadas. A lenda descreve a Matinta como uma senhora misteriosa que se transforma em um pássaro agourento, cujo assobio noturno só cessa após a promessa de oferendas tradicionais, como tabaco, café, cachaça ou peixe. Para celebrar a data e mergulhar na riqueza das narrativas orais e do terror amazônico, selecionamos cinco livros essenciais que exploram o mito e as assombrações paraenses.
1. ‘Visagens e Assombrações de Belém’, de Walcyr Monteiro

Considerada a principal obra de maior impacto comercial e cultural do folclore paraense, o livro escrito por Walcyr Monteiro reúne um amplo compilado de contos fantásticos, histórias sobrenaturais e relatos de visagens que povoam o imaginário da capital do Pará. O fascínio do autor pelas narrativas orais ganhou força em maio de 1972, com a publicação da história “Matinta Pereira do Acampamento” no extinto jornal A Folha do Norte. A obra consagrou-se como uma referência fundamental ao registrar mitos como a Moça do Táxi, a Porca do Reduto, o Lobisomem da Pedreira e a própria Matinta.
2. ‘Visagentas’, de Iaci Gomes e Renata Segtowick

Com textos da jornalista e contista Iaci Gomes e ilustrações da artista visual Renata Segtowick, a obra reinterpreta dez contos clássicos de visagens e assombrações paraenses a partir de uma perspectiva feminina e contemporânea. O livro propõe desmistificar papéis tradicionais associados às mulheres nas histórias de terror, abordando a Matinta Perera, a Cobra Caninana e a Mulher Cheirosa ao lado de temas como a solidão e as relações familiares. Selecionado em 1º lugar pelo Edital da Lei Paulo Gustavo via Fumbel, o projeto conta com a consultoria da antropóloga indígena Danielle “Yaci Anambé” Souza, revisão de Jeniffer Yara e versão em audiolivro.
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3. ‘A Matinta Perera’, de Bartolomeu Campos de Queirós

Lançada em sua 2ª edição pela Global Editora, a obra de Bartolomeu Campos de Queirós transforma o mito em uma narrativa poética de 40 páginas, ilustrada pelas cores vibrantes de Rogério Borges. O livro resgata a oralidade e o imaginário amazônico ao mesmo tempo em que utiliza a lenda como uma metáfora sobre as complexidades da convivência humana, o respeito mútuo e a preservação ambiental. Com apelo gráfico e educativo no formato 20 x 26 cm, a publicação serve como uma porta de entrada reflexiva para leitores de todas as idades.
4. ‘O Livro Secreto da Matinta – Vol 1’, de Leonardo Dressant

Disponível em formato digital (eBook Kindle), a obra de Leonardo Dressant apresenta um conjunto de contos focados nos seres fantásticos da floresta tropical, narrados sob a perspectiva e com a participação ativa da própria Matinta Perera. A narrativa explora a ambiguidade da figura descrita por uns como bruxa e por outros como pássaro agourento, detalhando a dinâmica dos assobios noturnos, as promessas de oferendas cobradas no dia seguinte e os castigos impostos aos que descumprem o combinado.
5. ‘Café com a Matinta: a lenda da bruxa do norte’, de Nathan de Moura

De autoria do escritor Nathan de Moura, a obra reúne 13 histórias focadas exclusivamente na figura da Matinta Perera. Todas as narrativas são fundamentadas em relatos reais de moradores que afirmam ter vivenciado encontros com a entidade em diversas cidades do interior do estado do Pará. O livro explora a fundo a tradicional crença popular de que a promessa de oferendas como café ou tabaco é o único recurso para cessar os ataques da entidade noturna, preparando o leitor para a inevitável visita da bruxa em sua forma humana na manhã seguinte para cobrar a prenda prometida à porta de casa.
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