Literatura

Edyr Augusto retorna com noir visceral em novo livro

Nova obra de Edyr Augusto marca o retorno do autor ao universo das sombras urbanas de Belém. Foto/Divulgação/Bpi Tempo

“Não nos deixeis cair em tentação” mergulha na corrupção e no sumiço de seminaristas em Belém, consolidando o autor como mestre do crime nacional.

Edyr Augusto e o realismo brutal: o novo capítulo do noir paraense

Após o sucesso global de sua obra Pssica, que ganhou as telas da Netflix em 2025 sob o olhar de Quico e Fernando Meirelles, o escritor paraense Edyr Augusto reafirma sua posição como uma das vozes mais potentes e cruas da literatura contemporânea. Seu mais recente trabalho não apenas mantém a tradição de narrativas ágeis, mas mergulha profundamente nas feridas sociais e institucionais do Brasil atual.

Em “Não nos deixeis cair em tentação”, o leitor é lançado em uma busca frenética por dois jovens seminaristas que desapareceram misteriosamente em Belém. O estopim da trama é a denúncia de um possível caso de abuso sexual envolvendo o arcebispo da cidade. O sumiço dos rapazes rapidamente escala para um escândalo que mobiliza a mídia e a sociedade, revelando uma teia de corrupção, crimes e segredos guardados sob o manto da fé.

Capa. Divulgação/Boi Tempo

Este é o nono livro de Edyr Augusto publicado pela Boitempo, consolidando uma parceria que tem levado a literatura produzida no Pará para o mundo. O autor já é um fenômeno cult na França, onde foi premiado, e este lançamento chega em um momento em que o “noir brasileiro” ganha força como um subgênero de grande interesse para adaptações cinematográficas e de streaming.

Sobre o autor

Nascido em Belém em 1954, Edyr Augusto é um artista multifacetado: jornalista, dramaturgo e diretor de teatro3. Suas histórias, como Os éguas, Belhell e Eu já morri, são conhecidas por estarem ancoradas na realidade paraense, utilizando a cidade como um personagem vivo e, muitas vezes, implacável3. Sua projeção internacional atingiu o ápice com o prêmio Caméléon na França, em 2015, pelo romance Belém (Os éguas).

O estilo de Edyr é frequentemente descrito como “um soco no estômago”. A narrativa é econômica, direta e desprovida de floreios desnecessários. Como o próprio autor define, suas histórias falam sobre pessoas atingidas por golpes de violência que precisam reagir. Com apenas 112 páginas, o livro promete uma experiência de leitura rápida, mas que permanece na mente do leitor muito após o fechamento da última página.

Com a orelha assinada por Roberta Martinelli e a quarta capa por Raphael Montes outro gigante do crime e suspense nacional o livro já nasce com o selo de aprovação da comunidade literária e dos fãs de true crime e ficção policial. A expectativa é que a obra siga o caminho de Pssica e desperte o interesse imediato de produtoras de conteúdo audiovisual.

O lançamento de “Não nos deixeis cair em tentação” representa a maturidade do noir brasileiro. No cenário atual, onde o público consome vorazmente histórias de crime e investigação, Edyr Augusto oferece algo que foge dos clichês de Hollywood: ele entrega a crueza da realidade brasileira. O impacto cultural reside na coragem de tocar em temas tabus, como a corrupção institucional dentro de organizações religiosas, sem perder o ritmo de um bom entretenimento de cultura pop. É uma obra que dialoga perfeitamente com a tendência de “regionalismo universal”, onde uma história situada em Belém ressoa em qualquer grande metrópole do mundo.

Vale ficar de olho? Com certeza. É o livro ideal para quem busca uma leitura intensa e não tem medo de encarar o lado mais sombrio da natureza humana. Funciona perfeitamente para fãs de séries como Bom Dia, Verônica e leitores de Rubem Fonseca.

E você, está pronto para encarar as sombras de Belém? Deixe nos comentários se o estilo visceral de Edyr Augusto já está na sua lista de leituras!


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Editor
Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.