Pular para o conteúdo
HQPOP
Notícias

FIQ 2026 reúne 400 artistas em BH e lança a versão em quadrinhos de ‘Torto Arado’

Com entrada gratuita no Minascentro, a 13ª edição do maior festival de quadrinhos da América Latina promove lançamento de obras, sessões de autógrafos, debates e desafios de criação em tempo real.

FIQ 2026 reúne 400 artistas em BH e lança a versão em quadrinhos de ‘Torto Arado’
Foto/Leonardo Dressant

Entre os dias 4 e 8 de novembro de 2026, Belo Horizonte transforma-se na capital nacional dos quadrinhos ao sediar a 13ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ BH) no Minascentro, localizado no centro da capital mineira. Considerado o maior evento do gênero na América Latina, o festival tem entrada totalmente gratuita e reúne cerca de 400 artistas brasileiros provenientes de 25 estados e do Distrito Federal, além de ilustradores convidados de sete países. Sob o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania”, o evento traz como grandes destaques a distribuição gratuita de 3 mil gibis, a realização de um desafio de criação ao vivo em redoma de vidro e o lançamento nacional do primeiro volume da adaptação em HQ de Torto Arado, obra premiada de Itamar Vieira Junior.

Lançamento nacional de ‘Torto Arado’ em HQ e grandes debates

Adaptação em quadrinhos do livro 'Torto Arado' de Itamar Vieira Junior.
Detalhe da capa da adaptação de ‘Torto Arado’ em quadrinhos.Imagem/Reprodução

Um dos momentos mais aguardados da programação é o lançamento oficial da adaptação em quadrinhos do romance Torto Arado, de Itamar Vieira Junior. A versão traduzida para a linguagem sequencial conta com roteiro de Rafael Calça e arte de Bennê Oliveira, somando 328 páginas coloridas no primeiro volume publicado. Durante o evento, a dupla participa da mesa “Adaptando sucessos para quadrinhos: quando a história muda de linguagem”, ao lado de criadores como Thobias Daneluz e Ian SBF. Segundo o roteirista Rafael Calça, o maior desafio do processo adaptativo foi transformar palavras em ações metafóricas e traduzir os silêncios da narrativa literária em páginas ilustradas.

Além do painel sobre adaptações, o FIQ 2026 sedia 21 mesas de debates abrangendo temas como quadrinhos infantis, pautas socioambientais, biografias e a ressignificação dos super-heróis no cenário contemporâneo. Entre os quadrinistas e debatedores presentes na edição estão nomes como Bilquis Evely, Vitor Cafaggi, Lucas Werneck, Hugo Canuto e Ferréz. A grade internacional inclui autores destacados como Borja González, Fabien Toulmé, Clara Chotil, Nati Chuleta, Štěpánka Jislová, Nacha Vollenweider, Lorenzo de Felice e Isabelle Debekker. A artista checa Štěpánka Jislová marca presença com a exposição de suas obras Do Coração e Sem Cabelo, recém-lançadas no mercado brasileiro.

Desafio 24h de HQ em redoma de vidro e distribuição de gibis

Entre as atrações inéditas desenvolvidas para o público da 13ª edição está o “Desafio 24 horas de HQ”, promovido em parceria com a Inko. A partir das 14h do sábado (7), 15 quadrinistas selecionados ficarão confinados em uma redoma de vidro por 24 horas ininterruptas para produzir, ao vivo e sob o olhar dos visitantes, uma revista em quadrinhos completa de 24 páginas. O tema da publicação será mantido em segredo até o início da atividade e o material final poderá integrar uma publicação especial do festival. A presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Bárbara Bof, ressaltou que a iniciativa busca transformar o entusiasmo e a produção criativa em um produto editorial físico copilado.

No mesmo sábado (7), entre 11h e 13h, acontece a ação Dia do Quadrinho Grátis, organizada em parceria com a Editora Devir. Serão distribuídos gratuitamente 3 mil exemplares de histórias em quadrinhos aos visitantes do Minascentro. Além disso, como incentivo à formação de leitores, cerca de 3 mil estudantes da rede pública de ensino receberão vales-livros para a aquisição de publicações nas 277 mesas de artistas e estandes presentes na feira.

Leia mais em HQPOP:

Homenagens, oficinas e impacto cultural

Nesta 13ª edição, o FIQ presta homenagens a duas figuras fundamentais para o desenvolvimento da nona arte no país: a pesquisadora Sonia Maria Bibe Luyten, pioneira nos estudos acadêmicos sobre quadrinhos no Brasil, e o ilustrador mineiro Marcelo Lelis, natural de Montes Claros. Com carreira iniciada em 1986 e oito troféus HQ Mix no currículo, Lelis comemorou o reconhecimento e estendeu a homenagem aos artistas que desbravaram as primeiras edições do evento. Ambos os homenageados contam com exposições exclusivas dedicadas a suas trajetórias. O público pode conferir ainda a mostra Anfang/Ausgang, com obras de Rapha Pinheiro sobre a vivência de jovens brasileiros na Alemanha.

Capa do quadrinho 'Torto Arado' com ilustrações coloridas e atraentes.
Movimentação durante a FIQ 2026. Foto/Leonardo Dressant

A estrutura do festival inclui ainda 20 oficinas livres, 12 masterclasses voltadas à qualificação profissional, quatro sessões de cinema, duelos de ilustração e rodadas de negócios reunindo 13 editoras do mercado. Realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, o festival busca superar a marca da edição de 2024, que recebeu mais de 45 mil pessoas.

Feira / Convenção Presencial Livre Gratuito
Data: 04 a 08/11/2026
Organização: Instituto Periférico
Sobre o evento

O maior evento da nona arte na América Latina, o festival gratuito reúne cerca de 400 artistas brasileiros e internacionais.

Emerson Coe

Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.

Leia também