junho 23, 2026
Notícias

Especialistas de 41 países elegem as melhores músicas de anime de todos os tempos

Especial da TBS reúne músicos de 41 países para eleger o “Ranking Profissional” das trilhas sonoras de anime. Imagem/Reprodução

Ranking internacional reuniu 166 profissionais da indústria musical e colocou clássicos de Dragon Ball, One Piece e Astro Boy ao lado dos sucessos mais recentes.

A música de anime, ou anisong, deixou de ser um nicho das madrugadas televisivas para se tornar um dos pilares mais robustos da indústria fonográfica global. No cenário atual, onde trilhas sonoras ditam tendências no TikTok e dominam o topo do Spotify Global, entender o que define uma “música de anime perfeita” é essencial para compreender a própria evolução da cultura pop contemporânea. Recentemente, a rede japonesa TBS elevou esse debate a um novo patamar técnico e geográfico com o especial Professional Ranking.

A lista com os “100 Melhores Anisongs” foi revelada no especial do programa Professional Ranking da emissora TBS. Imagem/Reprodução

O “G-20” da trilha sonora japonesa

Em um esforço de curadoria sem precedentes, o programa reuniu um corpo de jurados composto por 166 profissionais da música vindos de 41 países e regiões. Entre os votantes estavam cantores, músicos, produtores musicais e compositores que analisaram décadas de produções para eleger as “100 Melhores Músicas de Anime do Japão”.

Música de Dandadan é eleita entre as 100 melhores.

A lista não se limitou ao gosto popular ou ao número de visualizações, mas buscou um rigor técnico e histórico, abrangendo desde os clássicos da era Showa até os fenômenos da era Reiwa. O resultado é um mapeamento que atravessa fronteiras, unindo a nostalgia de ícones como Astro Boy (o primeiro grande sucesso internacional da animação japonesa em 1963) a sucessos instantâneos como “Otonoke”, tema de abertura de Dandadan, que ostenta o título de música japonesa mais ouvida no mundo em 2025.

A legitimação técnica da Anisong

A relevância deste ranking reside na sua composição internacional. Ao ouvir especialistas de 41 regiões diferentes, o programa revela como a percepção da música japonesa mudou. Se antes as anisongs eram vistas apenas como ferramentas de marketing para brinquedos, hoje elas são analisadas por sua complexidade composicional e capacidade de síntese cultural.

O impacto é visível na presença de obras como One Piece, com sua escala global monumental, e clássicos de nicho que ganharam versões em inglês, como Kinnikuman, provando que a barreira linguística foi derrubada pela qualidade da produção sonora. A participação de figuras como Kento Nakajima, um entusiasta declarado do gênero, reforça como essa cultura permeia diferentes gerações: ele destaca a capacidade de sua geração (que entende desde os anos 70 até os anos 2020) de conectar a “força da cultura japonesa” através desses temas.

Do clássico ao streaming de massa

Trilha de Ashita no Joe já é um clássico.

O ranking expõe um fenômeno de “rejuvenescimento” dos clássicos e “clássicos instantâneos”. O fato de músicas de Space Battleship Yamato e Ashita no Joe ainda ressoarem ao lado de fenômenos atuais indica uma continuidade estética que poucas indústrias possuem. O mercado japonês de animação agora utiliza a música não apenas como acompanhamento, mas como o principal vetor de exportação cultural, onde a qualidade técnica dos arranjos atrai profissionais do mundo todo para estudá-los.

O triunfo da técnica sobre o algoritmo

O que o especial da TBS entrega não é apenas uma lista de reprodução, mas um manifesto sobre a perenidade da arte. Em um mundo dominado por algoritmos de recomendação que priorizam o efêmero, ver profissionais de 41 países votarem em temas como o de Spirited Away (A Viagem de Chihiro) ou Dragon Ball mostra que a qualidade melódica sobrevive ao tempo.

O posicionamento do júri profissional valida o que os fãs já sentiam: a anisong é a nova “música clássica” da cultura pop, capaz de evocar narrativas complexas em poucos acordes. A inclusão de Dandadan ao lado de Astro Boy não é uma heresia, mas uma prova de que a indústria japonesa continua a inovar sem perder sua identidade melódica única que Kento Nakajima define como “o poder da cultura japonesa”.

Destaques do Top 10

  • 1º Lugar: Cruel Angel’s Thesis – Yoko Takahashi (Neon Genesis Evangelion)
  • 2º Lugar: Blue Bird – Ikimonogakari (Naruto Shippuden)
  • 3º Lugar: Cha-La Head-Cha-La – Hironobu Kageyama (Dragon Ball Z)
  • 4º Lugar: Gurenge – LiSA (Demon Slayer)
  • 5º Lugar: Moonlight Densetsu – DALI (Sailor Moon)
  • 6º Lugar: Tetsujin 28-go – Mukaido Choir (Tetsujin 28-go)
  • 7º Lugar: Astro Boy – Kamitakada Boys Chorus (Astro Boy

O sucesso deste ranking deve impulsionar novas colaborações internacionais entre compositores japoneses e artistas globais. Com a confirmação de que o topo da lista foi “indiscutível” para os jurados (incluindo veteranos como Shinobu Sakagami), o mercado deve observar uma valorização ainda maior dos direitos autorais de trilhas antigas e uma corrida para produzir o próximo “hino global” nos moldes de “Otonoke”.

E para você, qual música de anime é tecnicamente imbatível? A nostalgia dos anos 90 ainda vence a produção de elite de 2025? Participe do debate nos comentários!


Leia mais em HQPOP:

Editor
Emerson Coe é editor do portal HQPOP, especializado em quadrinhos, cultura pop e entretenimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *