Com novo troféu e domínio amazonense, a 3ª edição do prêmio reafirma a força das HQs do norte e traz surpresas nas categorias técnicas.
Na tarde deste último sábado, 09 de maio, os olhos da comunidade de quadrinhos se voltaram para a live transmitida direto do estúdio YourCast, no YouTube. Em sua 3ª edição, o Prêmio Mapinguari de Quadrinhos deixou de ser uma promessa para se consolidar como uma das premiações mais autênticas e necessárias do calendário cultural.

Realizado pelo Mapingua Nerd com produção do Norte em Quadrinhos, o evento nasceu em 2022 com a missão clara de dar visibilidade a artistas que muitas vezes são ignorados pelas premiações do eixo Sul-Sudeste. Após uma edição histórica em São Paulo em 2025, o retorno ao formato digital e focado na produção local deste ano mostrou que a cena nortista não precisa mais pedir licença para brilhar.
O Triunfo de Itacoatiara

A obra “A batalha de Itacoatiara” foi a grande estrela da noite, levando o prêmio máximo de Melhor Quadrinho. O reconhecimento não parou por aí: Romahs Mascarenhas, um veterano respeitado na cena, conquistou o troféu de Melhor Desenhista, enquanto Emerson Medina (AM) levou o de Melhor Roteirista pela mesma obra.
A vitória dessa equipe amazonense contextualiza o amadurecimento das narrativas que exploram a história e o imaginário com acabamento técnico de alto nível. Outro destaque foi Raquel Teixeira, que confirmou seu favoritismo ao ser eleita Melhor Colorista, provando que sua presença em quatro categorias não era mero acaso.
Surpresas e o novo símbolo do prêmio
Uma das maiores novidades da noite não veio do papel, mas da resina. A organização revelou o novo design do troféu, uma estátua do mascote do prêmio produzida pela 3DCaldeira, que agora se torna o objeto de desejo de todo quadrinista nortista.

Nas categorias técnicas, Leonardo Dressant quebrou o domínio amazonense ao vencer como Melhor Arte-Finalista, trazendo um equilíbrio geográfico importante para a premiação e destacando a força da escola paraense de desenho.
Da academia ao fanzine
A vitória da “Biblioteca de Zines” na categoria Melhor Subproduto ou Adaptação de HQ revela uma tendência pulsante: o resgate do físico e do independente. Enquanto a indústria nacional foca em edições de luxo, o Norte mantém viva a chama da circulação alternativa e democrática. Por outro lado, a forte presença de trabalhos acadêmicos entre os indicados, como a dissertação “Distopia Neocabana” mostra que o quadrinho nortista está sendo pensado e teorizado com seriedade.
Outra surpresa da noite foi, sem dúvida, a ausência de Laura Athayde entre os vencedores das categorias principais. Sendo uma das artistas com mais indicações (quatro ao total por “Eu e a brisa”).
O ecossistema do norte
O que o Prêmio Mapinguari 2026 nos diz é que o Norte criou seu próprio ecossistema. Não se trata apenas de premiar “o melhor”, mas de sustentar uma rede que envolve a escola de formação do Norte em Quadrinhos, o fomento do Mapingua Nerd e eventos como o Circuito Amazônico de Quadrinhos.

O prêmio revela que a indústria regional está se especializando. Ter vencedores distintos para Roteiro, Desenho e Cor mostra que a era do autor solitário está dando espaço para produções colaborativas mais robustas. A relevância do evento hoje reside na sua capacidade de ditar tendências que o restante do Brasil ainda levará tempo para processar.
Para os vencedores, o troféu Mapinguari é um passaporte. Romahs e Emerson Medina elevam “A batalha de Itacoatiara” ao status de leitura obrigatória nacional. O impacto nas carreiras será sentido em convites para feiras internacionais e possíveis novas tiragens. Além disso, o fortalecimento do Norte em Quadrinhos como polo educacional deve atrair ainda mais investimentos para a formação de novos artistas em 2027.
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