Coletivos Traço Norte, Serendi e Kitnet protagonizam a descentralização do mercado editorial brasileiro durante o Circuito Amazônico 2026.
A nova geografia da produção de HQs
O mercado editorial brasileiro, historicamente asfixiado pelo eixo Rio-SP, testemunha uma mudança de maré vinda das águas do Norte. O Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026 é um manifesto de descentralização que conecta seis capitais, Manaus, Boa Vista, Parintins, Belém, Palmas e Macapá em uma rede de fortalecimento da produção regional.
Em Belém, a 12ª Semana do Quadrinho Nacional Pará surge como o centro desse movimento. Muito além de uma feira de entretenimento, o evento se consolida como um espaço de investigação estética e afirmação identitária.
Protagonismo regional
O verdadeiro motor dessa transformação reside nos talentos locais que ocupam o Beco dos Artistas. O Coletivo Traço Norte, presente na programação, o grupo nasce com a missão de dar visibilidade a novos artistas da Região Norte, conectando diferentes gerações e estilos de narrativa gráfica. A presença de artistas como Levi Gama (AM), que além de compor painéis sobre narrativas sensíveis, realiza uma ação de live painting, demonstra a vitalidade técnica que emana do Amazonas para o restante do país.
A interação com o público ganha contornos lúdicos e competitivos com o Coletivo Serendi, responsável pelo “Desafio dos Quadrinhos”. Essas dinâmicas, longe de serem meros passatempos, são ferramentas de engajamento que solidificam a relação entre o criador nortista e seu leitor, gerando um ecossistema autossustentável.
Memória e história: a exposição DQN

A maturidade de uma cena também se mede pelo seu respeito à memória. A exposição “DQN: Um ponto na história”, produzida pelo Coletivo Kitnet, funciona como um marco cronológico da nona arte na região. O grupo, que também integra o Beco dos Artistas, utiliza o espaço da Fundação Cultural do Pará para conectar o passado da produção paraense com o futuro audacioso proposto pelo Circuito.
O evento, traz nomes de peso como Helô D’Angelo (SP), Paulo Moreira (PB) e Débora Santos (CE), destaque está na força local de talentos como Helô Rodrigues e Felipe Furtado.
A visão de quem constrói
Para Andrei Miralha, um dos organizadores do evento, o Circuito Amazônico representa um salto qualitativo sem precedentes. Segundo ele, a união de organizadores possibilitou melhores parcerias e investimentos para a contratação de artistas da própria região Norte e de âmbito nacional.
“Essa convergência de artistas da própria região norte e de outros estados do Brasil já está promovendo um intercâmbio incrível como nunca se viu por aqui. E esse é só o segundo ano do Circuito!”, destaca Miralha.
Ele reforça que a Semana do Quadrinho Nacional do Pará é o primeiro evento do estado a manter uma sequência ininterrupta por mais de 10 anos, consolidando-se como uma política cultural resiliente.
O que se vê em 2026 é uma Amazônia que não quer apenas ser lida sob o olhar estrangeiro, mas que empunha o lápis para narrar seus próprios territórios, afetos e cosmologias.
Serviço:
12ª Semana do Quadrinho Nacional Pará
Data: 15 a 18 de Abril
Locais: SESC Ver-o-Peso e Sede da Fundação Cultural do Pará
Entrada: Gratuita