Música

Terceiro Capanga leva romance, mistério e escuridão para a cidade imaginária de Outro Céu

Música e narrativa: o que esconde o álbum Outro Céu? Foto/Divulgação

Segundo álbum da banda paraense transforma uma cidade fictícia em personagem e mistura crônicas do interior, relações humanas e acontecimentos inexplicáveis em 12 faixas

Há cidades que existem no mapa. Outras existem na memória, nas histórias contadas por quem vive nelas e, às vezes, nas músicas. Em Outro Céu, segundo álbum de estúdio do Terceiro Capanga, uma dessas cidades imaginárias ganha vida. Lançado em 28 de agosto de 2026, o disco apresenta ao ouvinte um lugar onde romances, personagens peculiares, conflitos cotidianos e acontecimentos inexplicáveis convivem na mesma paisagem.

Com 12 faixas inéditas, o trabalho aposta em uma estrutura conceitual: existe uma história por trás das músicas e um universo que vai sendo revelado à medida que o álbum avança. O ponto de partida é a chegada de um personagem à cidade de “Outro Céu”, espaço fictício que funciona como uma representação possível das pequenas cidades do interior brasileiro.

A partir daí, o Terceiro Capanga constrói uma narrativa que não se limita a contar uma única história. As canções apresentam fragmentos daquele universo, como se o ouvinte estivesse caminhando pelas ruas da cidade e encontrando diferentes personagens pelo caminho.

Capa do álbum Outro Céu do Terceiro Capanga, imagem artística que representa a cidade fictícia.
Foto/ Arquivo pessoal

Há romance, encontros e desencontros, situações absurdas e um estranho fenômeno climático que prolonga a escuridão. O real e o fantástico passam a dividir o mesmo espaço, sem que seja necessário estabelecer uma fronteira clara entre os dois.

A força do conceito de Outro Céu está justamente na familiaridade do cenário. Embora a cidade seja inventada, suas histórias remetem a um Brasil reconhecível: o das cidades pequenas, dos personagens conhecidos por todos, dos relacionamentos que rapidamente se tornam assunto público e das histórias que crescem a cada vez que são contadas.

A faixa-título funciona como porta de entrada para esse universo. A partir dela, o álbum começa a apresentar seus personagens e situações, conduzindo o ouvinte por uma narrativa que alterna cotidiano e estranhamento.

O resultado é um disco que pode ser ouvido tanto pela perspectiva musical quanto como uma espécie de crônica. Cada faixa acrescenta uma peça ao quebra-cabeça de Outro Céu.

A atmosfera narrativa não depende apenas das letras. A sonoridade também participa da construção desse universo, com arranjos que acompanham as diferentes situações apresentadas pelo álbum.

O processo de produção manteve a independência que acompanha a trajetória do Terceiro Capanga. O disco foi gravado, produzido e mixado, em grande parte, pelos próprios integrantes no Estúdio Revoluçom do São. A bateria da faixa-título foi registrada no Pupuña Estúdio.

A produção ficou a cargo de Ricardo Maradei e Toni Germano, que também dividem as composições. Maradei assina ainda a mixagem e a masterização. A identidade visual do álbum ficou sob responsabilidade da artista Maria Alexandrino.

Outro Céu também abre espaço para encontros com outros nomes da música paraense.

Félix Robatto participa da faixa-título com sua percussão, enquanto Daniel Pinheiro grava bateria e efeitos na mesma música e assume as baquetas em Megadeth Sentimental. Em Cabeça Virada, os arranjos de guitarra ganham a contribuição de Jack Nilson. Já Evy Loyola participa dos vocais de Lobisomem Tolerante.

As colaborações ajudam a ampliar a paisagem sonora do álbum sem tirar o protagonismo da narrativa construída pelo quarteto.

O Terceiro Capanga surgiu em 2018 como um projeto de estúdio idealizado por Toni Germano e Ricardo Maradei. Desde então, a banda passou por diferentes formações e experiências, até chegar ao atual formato de quarteto.

Capa do álbum Outro Céu do Terceiro Capanga, imagem artística que representa a cidade fictícia.
Foto/Arquivo da banda

O primeiro álbum, Balcão, reuniu 14 faixas. Agora, em Outro Céu, o grupo apresenta um trabalho mais voltado à construção de um universo narrativo, mantendo a liberdade criativa que marcou sua trajetória.

A formação atual reúne Toni Germano (voz e guitarra), Ricardo Maradei (voz, guitarra e teclados), João Lima (baixo) e Jonatha Wilson(bateria).

Em tempos em que singles costumam ser consumidos de forma isolada, Outro Céu propõe justamente o contrário, entrar em uma história e permanecer nela por 12 faixas.

A cidade criada pelo Terceiro Capanga não precisa ser localizada no mapa. Ela pode estar em qualquer lugar onde existam romances mal resolvidos, personagens improváveis, histórias de esquina e acontecimentos que desafiam qualquer explicação.

E talvez seja essa a principal provocação do álbum, descobrir até onde termina a realidade e começa a história que alguém resolveu contar.

Em Outro Céu, o Terceiro Capanga não entrega apenas um lugar para visitar. Entrega uma cidade para imaginar e uma escuridão para atravessar até descobrir o que existe do outro lado.

Mais informações sobre a banda, você encontra na rede social.

Jornalista
Jornalista apaixonada por música, cultura e comunicação, une experiência institucional e olhar estratégico para transformar informação em conexão.