Música

Festival Alto Volume 2 conecta seis municípios e transforma Belém em ponto de encontro do rock paraense

Público da primeira edição de Alto Volume
Na foto publico da primeira edição do Alto Volume. Foto/Reprodução

Com 12 bandas, oito delas vindas do interior, segunda edição do evento acontece em outubro e aposta na integração da cena, na diversidade sonora e no combate à violência contra a mulher

O rock paraense não cabe apenas na capital. Essa é uma das ideias que atravessam o Festival Alto Volume 2 Conexões, que reúne, nos dias 10 e 11 de outubro de 2026, 12 bandas de seis municípios do Pará em dois dias de programação no Studio Pub, em Belém. Organizado pelo coletivo Ouça Rock Paraense, o evento chega à segunda edição ampliando o alcance geográfico e colocando no mesmo palco diferentes gerações e vertentes da música pesada produzida no estado.

A história do festival, porém, começou um ano antes, ainda sob outra perspectiva. A primeira edição foi realizada em 14 de junho de 2025, também no Studio Pub, com o nome Alto Volume 20 Anos de Rock. A estreia foi concebida como uma celebração da trajetória de quatro bandas paraenses que completavam duas décadas de atividade.

A escolha dos homenageados ajudou a estabelecer uma identidade para o festival olhar para a história da cena independente, sem tratá-la como algo encerrado no passado. Em vez de apenas recuperar uma memória, a primeira edição colocou no palco artistas que ajudaram a construir parte da história recente do rock autoral paraense.

Festival Alto Volume 2 com bandas de rock paraense, destacando a diversidade musical.
Foto divulgação/ banda Bleed Chapter

Um ano depois, a proposta se transforma. O que começou como uma celebração de trajetórias passa a funcionar também como uma plataforma de conexão entre territórios e gerações. Se em 2025 o festival olhou para quatro bandas e seus 20 anos de estrada, em 2026 amplia o mapa para seis municípios e 12 grupos, oito deles vindos do interior e quatro da capital.

Essa mudança diz muito sobre o próprio momento da cena paraense. O rock produzido no estado não se resume ao circuito de Belém. Há bandas criando, produzindo público e construindo trajetórias em diferentes regiões, muitas vezes longe dos grandes centros de circulação cultural. Ao levar essas produções para um mesmo palco, o Alto Volume cria uma espécie de cartografia musical do Pará.

A segunda edição reúne artistas de Belém, Marabá, Barcarena, Abaetetuba, Ananindeua e Castanhal, estabelecendo uma das programações mais abrangentes do festival em termos territoriais.

Festival Alto Volume 2 com bandas de rock paraense, destacando a diversidade musical.
Foto divulgação/ banda Álibi de Orfeu

Entre os nomes veteranos estão Álibi de Orfeu, com 40 anos de estrada, e Baixo Calão, com três décadas de trajetória. Ao lado deles aparecem grupos de gerações mais recentes, como Chorume, de Barcarena, Lui, de Marabá e Ratos Psicóticos, de Abaetetuba, que vêm movimentando suas respectivas cenas e ampliando o alcance de seus trabalhos.

O line-up também reúne Lixo Espalha Lobo e Bleed Chapter, de Marabá, Jones Vega e os Astronautas e BelHell, de Ananindeua, Alucinantes, de Castanhal, além de Ultranova e Bianca and The Velvets, de Belém.

Festival Alto Volume 2 com bandas de rock paraense, destacando a diversidade musical.
Foto divulgação/ Bianca and The Velvets

A diversidade, portanto, não está apenas nos estilos musicais. Está também na origem dos artistas, no tempo de carreira e nas diferentes experiências que chegam ao palco.

É justamente aí que o subtítulo “Conexões” ganha força. O festival não pretende apenas colocar 12 bandas para tocar em dois dias. A ideia é aproximar cenas que muitas vezes existem paralelamente, permitindo que artistas do interior encontrem o público da capital e que bandas de diferentes gerações compartilhem o mesmo espaço.

Ao reunir artistas de diferentes cidades, o Alto Volume se apresenta também como um espaço de circulação, troca e reconhecimento da produção independente do Pará.

O coletivo Ouça Rock Paraense, responsável pela realização, atua há dois anos no fomento à cena musical do estado e considera o festival uma ferramenta de integração e difusão da identidade cultural paraense. A proposta passa por conectar gerações, democratizar espaços e criar uma vitrine para uma produção independente que se mostra cada vez mais diversa.

Festival Alto Volume 2 com bandas de rock paraense, destacando a diversidade musical.
Emanuela Chaves, Emanuel ( apoiadores da campanha ) e Krisna Machado( coordenadora da campanha ouça Rock Paraense, sem violência contra mulher). Foto/Reprodução

A segunda edição incorpora ainda uma pauta social por meio da campanha “Rock Paraense Sem Violência Contra a Mulher”. A iniciativa pretende discutir, alertar e combater situações de violência contra mulheres em espaços de eventos musicais e também fora deles.

A escolha da pauta amplia a função do festival. Em uma cena historicamente associada à liberdade, contestação e transgressão, discutir segurança e respeito às mulheres significa também questionar quais comportamentos ainda são naturalizados nos espaços de música.

A campanha busca fazer dos shows ambientes mais acolhedores e seguros, especialmente para mulheres, sem deixar de lado a conscientização do público como um todo.

Assim, o Alto Volume 2 não se limita a reproduzir uma fórmula criada em sua estreia. O festival preserva a relação com a memória presente já no conceito da primeira edição, dedicada aos 20 anos de quatro bandas mas amplia seu olhar para o presente e para o futuro da cena.

Banner do Evento
10/11
OUTUBRO
Ingressos

Line-up: Álibi de Orfeu, Lui, Chorume, Baixo Calão, Alucinantes, Bianca and The Velvets, Jones Vega e os Astronautas, Ratos Psicóticos, Lixo Espalha Lobo, BelHell, Bleed Chapter e Ultranova.

Jornalista
Jornalista apaixonada por música, cultura e comunicação, une experiência institucional e olhar estratégico para transformar informação em conexão.