Em reencontro histórico no Sesc Ver-o-Peso, o aclamado quadrinista paraense compartilhou os desafios de sua carreira de mais de 20 anos na Europa e deu detalhes de sua próxima grande HQ sobre Claude Monet.
Na última quinta-feira, 20 de agosto, o auditório do Sesc Ver-o-Peso, em Belém, foi palco de um reencontro histórico para o quadrinho paraense . O ilustrador e quadrinista paraense Miguel Lalor, radicado na França e consolidado como um dos raros brasileiros com carreira firme no concorrido mercado franco-belga, protagonizou um bate-papo gratuito sobre “viver de arte”. O encontro foi mediado por seu amigo de longa data e figura central da Semana do Quadrinho Nacional no Pará, Andrei Miralha.

Uma plateia de peso: Coletivos, nomes consagrados e entusiastas
A noite atraiu um público vibrante que reflete a efervescência da cena local. O auditório reuniu aspirantes a quadrinistas, ilustradores experientes e entusiastas da cultura pop . A forte presença da comunidade local, especialmente de frequentadores e organizadores da Semana do Quadrinho Nacional, transformou o bate-papo em um grande ponto de encontro de gerações. O público presente também relembrou o papel histórico de coletivos pioneiros, como o lendário grupo Ponto de Fuga do qual Lalor fez parte no início dos anos 90, consolidando o evento como um momento de celebração da união e da persistência da produção de fanzines e HQs na Amazônia.

Uma lição de sobrevivência e resiliência no mercado europeu
Com mais de duas décadas de experiência na Europa, Lalor acumula mais de 10 álbuns publicados por editoras gigantes como a Dargaud e a Glénat. No entanto, o artista revelou que a caminhada foi marcada por muitas dificuldades, sucessivas negativas e dissabores no início de sua trajetória no velho continente.

Ele relembrou os tempos de envio de testes e o esforço constante até conseguir publicar seu primeiro trabalho em uma coletânea em Portugal. A reviravolta decisiva em sua carreira aconteceu após conhecer outro autor brasileiro em meio a essas adversidades, momento a partir do qual ele deslanchou de vez e passou a ilustrar grandes obras de fantasia como a trilogia Myrkos e a adaptação do best-seller Le Dernier Templier (O Último Templário).
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Das origens em Belém ao estrelato internacional
A trajetória de Lalor começou na Universidade Federal do Pará (UFPA). No início da década de 1990, ele se destacou ao integrar o Ponto de Fuga, coletivo de Belém dedicado à produção de fanzines e eventos independentes. No cenário nacional, sua obra de maior impacto foi a adaptação em quadrinhos do clássico literário Galvez, o Imperador do Acre, de Márcio Souza.
Decidido a viver de sua arte, Lalor deixou Belém em 1999, passando por Lisboa antes de se radicar definitivamente em Paris em 2003, onde desenhou desde aventuras históricas até a série policial ambientada no Brasil, Le Rédempteur.
A cereja do bolo: Homenagem a Monet no Museu d’Orsay
A grande revelação do bate-papo foi o spoiler de seu mais recente e aguardado projeto: Impressions Claude Monet. A HQ, na qual Lalor se esmera nos desenhos e no estudo de cores para retratar o célebre pintor impressionista francês, representa o ápice de sua carreira artística. O lançamento oficial está previsto para setembro de 2026 no prestigiado Museu d’Orsay, em Paris, onde o álbum será apresentado ao lado das próprias obras-primas de Monet.
Confissões e polêmicas divertidas

Durante a descontraída conversa, Lalor fez revelações curiosas e íntimas. Ele confessou que, apesar de todo o sucesso com as grandes sagas internacionais, considera que seu melhor trabalho é um livro infantil que escreveu especialmente para seus filhos.
O quadrinista, que já adaptou a saga de Odisseu para as HQs, também entreteve a plateia ao fazer uma crítica ao filme A Odisseia, do diretor Christopher Nolan, afirmando que a produção não lhe pareceu crível o bastante. Ao fim, o artista expressou o seu forte desejo de ver mais de seus trabalhos publicados oficialmente no Brasil.