junho 16, 2026
Literatura

Livro sobre cloroquina durante a pandemia entra na lista dos melhores do século 21

Cloroquination foi eleito um dos melhores livros brasileiros de não ficção do século 21. Imagem/Reprodução

Obra escrita por professor da USP e pela jornalista Chloé Pinheiro foi escolhida entre os dez melhores livros brasileiros de não ficção por especialistas.

O livro Cloroquination: Como o Brasil se tornou o país da cloroquina e de outras falsas curas para a covid-19, escrito pelo professor Flavio Emery, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, em parceria com a jornalista Chloé Pinheiro, entrou para a lista dos dez melhores livros brasileiros de não ficção do século 21.

A obra foi reconhecida em uma seleção da Folha de S.Paulo, elaborada a partir da indicação de especialistas. Lançado em 2022 pela Editora Paraquedas, o livro aborda o uso de medicamentos sem eficácia comprovada durante a pandemia de covid-19 e discute a relação entre ciência, saúde pública, política, mercado farmacêutico e desinformação. Para Emery, o reconhecimento tem um significado especial por valorizar uma obra construída com forte base documental e voltada ao público amplo.

Segundo o professor, o livro reúne quase mil referências e nasceu com o objetivo de explicar um tema complexo e decisivo para a sociedade. “Reconhecer a qualidade desse livro é reconhecer que ele teve o resultado esperado, sair dos muros da Universidade, tentar explicar uma ciência muito complexa, que é a ciência dos medicamentos em seus diversos níveis e contextos sociais, políticos e econômicos, e fazer com que isso fosse compreendido pelos não especialistas.”

Flavio Emery – Foto: Reprodução/Twitter

O professor também destaca que a presença da obra na lista reforça a importância da comunicação científica em momentos de crise. Para ele, o reconhecimento não representa apenas uma conquista individual, mas uma oportunidade de retomar discussões fundamentais abertas pela pandemia. “Esse reconhecimento significa, para mim, a oportunidade de retrabalhar a mensagem de que nós devemos fortalecer a ciência, a saúde pública do Brasil, a comunicação sobre ciência, o papel do farmacêutico na sociedade e o papel daqueles que informam a sociedade com qualidade sobre temas que nem sempre são amigáveis.”

A indicação também é vista pelo docente como uma forma de valorizar o papel da USP na produção de conhecimento e na transferência de informação qualificada para a população. Segundo Emery, “o reconhecimento ajuda a manter viva a memória crítica sobre a pandemia e sobre a necessidade de preparar melhor a sociedade para enfrentar crises sanitárias, com base em evidências científicas, políticas públicas e informação de qualidade”.

Sobre a obra

Cloroquination nasceu da aproximação entre Flavio Emery e Chloé Pinheiro durante a pandemia. Na época, o professor era frequentemente procurado por jornalistas para explicar temas relacionados ao desenvolvimento de medicamentos, uso de fármacos e à busca por tratamentos contra a covid-19. As conversas recorrentes com Chloé, jornalista especializada em saúde e ciência, deram origem à ideia de aprofundar a investigação sobre o chamado “kit covid”.

O livro investiga como medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina ganharam espaço no debate público durante a pandemia, mesmo sem comprovação científica de eficácia para o tratamento da doença. A obra também aborda como falsas promessas terapêuticas foram exploradas em um contexto de medo, vulnerabilidade social e desinformação.

Segundo Emery, um dos objetivos centrais da publicação é mostrar que medicamentos não devem ser tratados como produtos banais. Embora estejam presentes no cotidiano da população e carreguem uma forte ideia de esperança, eles também envolvem riscos, exigem pesquisa, acompanhamento profissional e uso responsável. “É nosso papel como farmacêuticos tentar fazer com que a sociedade compreenda que medicamentos são produtos que trazem riscos e, como tal devem ser tratados. Para isso, é preciso que haja um uso responsável desses medicamentos, no sentido de quem divulga, de quem prescreve, de quem dispensa, de quem vende e de quem usa.”

Para construir a obra, os autores reuniram entrevistas com ex-ministros da saúde, profissionais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), médicos, psicólogos e pacientes afetados pelo uso de medicamentos sem eficácia comprovada. Segundo o professor, embora o título remeta diretamente à cloroquina e às falsas curas contra a covid-19, “o livro também discute a história da farmácia, a política de medicamentos, o mercado farmacêutico e a centralidade dos pacientes nas decisões em saúde”.

Fonte: Jornal da USP


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Editor
Emerson Coe é editor do portal HQPOP, especializado em quadrinhos, cultura pop e entretenimento.

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