Banda paraense comemora uma década de carreira com programação independente que reúne mais de 25 atrações em três noites na Casa Apoena.
A trajetória da Móbile Lunar começou oficialmente em 2016, mas suas raízes estão em uma história anterior. Parte dos integrantes fazia parte da banda Crisantempo, que encerrou suas atividades em 2014. Com o fim do grupo, os músicos seguiram caminhos diferentes e deram início a novos trabalhos, mantendo, porém, o desejo de continuar produzindo música juntos.
Segundo Igor Gomide, baterista e integrante da banda desde a fundação, durante aproximadamente um ano o grupo se dedicou à composição de novas canções sem a intenção inicial de formar uma banda ou mesmo escolher um nome. O objetivo era simplesmente continuar o trabalho musical construído entre amigos.
Na época, o projeto reunia André Moska, Igor Gomide, Alexandre Brandão e Leonardo Vitor. Ainda sem identidade definida, o grupo recebeu um convite de Bruno Rabelo para participar do programa de música autoral “Prototípico”, da TV Cultura. A oportunidade acabou contribuindo para que o projeto ganhasse forma e, posteriormente, se transformasse na Móbile Lunar.
Ao longo de dez anos, a banda construiu uma identidade marcada por referências das décadas de 1970 e 1980, sem abrir mão de uma sonoridade atravessada pela experiência amazônica. A mistura entre influências e vivências locais tornou-se uma das características do grupo, que segue atuando de forma independente e ocupando espaços dentro e fora do Pará.
Atualmente, a Móbile Lunar vive uma nova fase. A formação conta com Alexandre Brandão nos vocais e guitarra, Laercio Esteves na guitarra, Igor Gomide na bateria e Johann nos vocais.

Alê Brandão, uma trajetória marcada pela música e pela cena independente de BelémEntre discos de vinil, guitarras e palcos, Alê Brandão construiu uma trajetória ligada à música autoral e à cena independente de Belém. Guitarrista, compositor e vocalista, ele vem transformando referências e experiências em uma identidade artística própria.
Sua projeção começou a ganhar destaque em 2012, quando integrou o projeto Tábita Veloso & Os Forjadores, vencedor do voto popular no Festival da Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB), com a música “O Mundo Não é Azul”. Depois, passou por bandas como Crisântemo, Bonsalvage e Síncope, experiências que ajudaram a formar sua linguagem musical.Desde 2016, Alê está à frente da Móbile Lunar, onde atua nos vocais, guitarra e composição. Com a banda, participou de importantes momentos da música paraense, incluindo a exibição do single “Automáticos” no programa Sons do Pará, além dos trabalhos Frida (2018) e FEROZ (2020).
Ao longo dessa caminhada, também levou sua música a eventos como Se Rasgum, Festival de Música Amazônica, Rock Rio Guamá e OcupaSound, no Rio de Janeiro, além de palcos como os teatros Waldemar Henrique e Cláudio Barradas. Mais do que acumular apresentações, Alê Brandão segue ajudando a construir, com sua música, a história da cena independente de Belém.

Laércio Esteves é publicitário, fotógrafo, filmmaker, professor universitário, guitarrista e compositor paraense. Graduado em Publicidade pela UNAMA, com pós-graduações em Semiótica e Cultura Visual e em Docência no Ensino Superior, construiu uma carreira de 13 anos na docência, além de atuar no mercado publicitário e audiovisual. Em 2008, recebeu três prêmios na Escola de Criação da ESPM, em Porto Alegre.
Apesar da trajetória consolidada na publicidade e na educação, foi a música que acabou falando mais alto. “Por convenções sociais, eu fugi a vida toda da música. Até o momento em que eu subi num palco e todos os outros trabalhos perderam o sabor”, conta. A decisão foi deixar a carreira construída para se dedicar integralmente à música, uma escolha que, segundo ele, só faz sentido quando não é possível viver sem ela. A relação com os instrumentos começou há cerca de 30 anos, quando encontrou um violão abandonado em casa. Desde então, passou a buscar de forma autodidata o que aquelas cordas eram capazes de produzir. A música também se tornou uma espécie de companhia em períodos difíceis.
Em meio à melancolia que o acompanhou ao longo da vida, encontrou nos discos de vinil, no rádio e nos CDs uma forma de atravessar longas madrugadas.Hoje, Laércio integra a banda paraense Móbile Lunar como guitarrista e compositor. A experiência musical também se conecta ao audiovisual, como no filme “Sonhos”, produzido pela banda durante a pandemia e dedicado a retratar a relação do grupo com a cena musical paraense e com as paisagens culturais da Amazônia.
Para Laércio, transformar essas experiências em música é também uma maneira de retribuir o que recebeu. “Nada mais justo do que devolver pro universo algo que possa fazer companhia pra outras pessoas que possam estar precisando desse afago artístico”, resume. Assim, entre as experiências acumuladas na publicidade, na educação, no audiovisual e na música, ele encontrou na criação artística não apenas uma profissão, mas uma forma de existência e conexão com outras pessoas.

Aos 17 anos, de forma totalmente autodidata, Igor Gomide deu os primeiros toques na bateria em projetos autorais no Pará. Essa paixão inicial marcou o começo de uma trajetória musical plural e vibrante: ganhou projeção na cena paraense à frente do hard rock da Bobo da Corte (2008–2014) e explorou os encontros entre o rock progressivo e a MPB com a Crisantempo (2013–2015).
A partir de 2016, consolidou sua identidade artística como cofundador da banda Móbile Lunar.Mas a conexão de Igor com a arte não se limita à frente dos refletores. Desde 2012, ele também atua na Direção de Palco, orquestrando a engrenagem e a logística de bastidores de grandes eventos, como o Bloco Auroras e o Festival de Música Amazônica.Com um perfil multifacetado, Igor Gomide conecta sensibilidade artística, conhecimento técnico e vocação para transformar: além de baterista e produtor de bastidores, ele concilia a vida nos palcos com a atuação como Engenheiro Ambiental e Professor.

Uma arte que não cabe em rótulos, Johann é daqueles artistas que fazem da própria pluralidade uma forma de existir. Cantor, bailarino, maquiador, ilustrador e drag queen, ele construiu, desde 2021, uma trajetória marcada pela coragem de experimentar, pela paixão pelo palco e por uma profunda conexão com a cultura paraense.
Na dança, buscou aperfeiçoamento na Companhia Deborah Colker. Na cena drag, encontrou no movimento Themônias e em sua Haus Ver-a-queen espaços de identidade, liberdade e resistência, chegando à vitória no Dinastia Drag, em 2023. Também se tornou presença constante na Festa da Chiquita, onde celebra a diversidade dentro de uma das maiores manifestações culturais do Pará. Em 2024, um novo capítulo começou ao assumir os vocais da Móbile Lunar. Entre o rock, a MPB, a dança e a arte drag, Johann levou sua presença para palcos como o Se Rasgum, o Porão do Rock e, em 2025, para a França, onde apresentou a força da arte amazônica em Paris e Lille.
Mais do que reunir talentos diferentes, Johann carrega em cada trabalho um pouco de quem é: intenso, criativo, livre e profundamente ligado à Amazônia. Sua trajetória mostra que não existe uma única maneira de ser artista e que a arte paraense pode atravessar fronteiras sem perder sua identidade.

A nova formação também acompanha uma fase de expansão da Móbile Lunar, marcada pela participação em festivais de diferentes regiões do país.
Em 2025, a banda esteve no Porão do Rock, em Brasília, um dos grandes festivais de música do Brasil. O grupo venceu a batalha de bandas e representou a região Norte no evento. No mesmo ano, participou do Feira Noise, realizado em Feira de Santana, na Bahia.
No Pará, a Móbile Lunar também passou por festivais como o Se Ragum, o Festival de Música Amazônica e o Claro Que É Rock. A circulação nacional inclui ainda uma mini turnê pelo Centro-Oeste, realizada em 2024, e outra pelo Nordeste, em 2025.
Para marcar os dez anos de trajetória, a banda decidiu transformar a comemoração em uma celebração coletiva. Surge, assim, o Baile Lunar, realizado de forma independente na Casa Apoena, nos dias 15, 22 e 29 de agosto.

Mais do que comemorar uma década de carreira, a proposta é reunir artistas que, assim como a Móbile Lunar, movimentam a produção autoral na Amazônia. A programação terá mais de 25 atrações, entre bandas e artistas solo.
A ideia é fazer do aniversário da banda um encontro da própria cena musical paraense, valorizando diferentes estilos, trajetórias e formas de produzir música independente.
A possibilidade de transformar o Baile Lunar em um evento anual também está nos planos do grupo. A intenção é que a iniciativa cresça e se consolide como um espaço permanente de fortalecimento da música autoral.
A comemoração dos dez anos também acontece em um momento de produção intensa. A Móbile Lunar está finalizando um novo álbum e pretende lançar ainda em 2026 mais um single do trabalho.
Duas faixas do novo projeto já estão disponíveis nas plataformas digitais: “Azul e Violeta” e “Dona dos Meus Passos”.
Depois do Baile Lunar, a banda pretende apresentar ao público mais uma música inédita, dando continuidade ao processo de construção do novo álbum.
Com dez anos de história, mudanças de formação, circulação por diferentes regiões do país e uma produção que mantém a Amazônia como parte importante de sua identidade, a Móbile Lunar chega a uma nova década sem abandonar a essência que acompanha o grupo desde os primeiros encontros: fazer música autoral e construir caminhos próprios.
O Baile Lunar surge justamente como síntese desse percurso uma festa para celebrar a banda, mas também todos aqueles que seguem fazendo seu próprio corre, criando, produzindo e mantendo viva a pluralidade da cena musical amazônica.
Serviço:
Baile Lunar! Data: 15 de agosto
DJ Coytada, Miriti, Hadooop, Reagents, Grão-Anil, Drakaos, Les Rita Pavone, Buk, Fleyva, Móbile Lunar.
Data 22 de agosto DJ Saxxa, Isaac Santos, Jotta C, Álec, Eduardo do Norte, Pedro Alcântara, Ana Clara, Naif, Velho Amarelo, Álibi de Orfeu, Móbile Lunar
Data: 29 de agosto, Toró Açu, Rhegia, Leevz, Verene, André Figueira, Móbile Lunar
Local:Casa ApoenaEndereço:Cidade Velha, Belém
ingressos a venda no local. Mais informações nas redes sociais da banda.
