Música

Dia Mundial do Rock a força de um gênero que segue vivo e pulsa cada vez mais forte na Amazônia

Celebrando em 13 de julho, o Dia Mundial do Rock vai muito além de uma homenagem a um estilo musical. A data representa resistência, liberdade, identidade e a capacidade que o rock tem de unir gerações em torno da música, da arte e da cultura.

Apesar do nome, o chamado “Dia Mundial do Rock” é uma celebração que ganhou força principalmente no Brasil. A escolha da data faz referência ao histórico festival Live Aid, realizado em 13 de julho de 1985, quando o músico Phil Collins sugeriu que aquele dia se tornasse uma data dedicada ao rock. A ideia acabou sendo abraçada por emissoras de rádio brasileiras na década de 1990 e, desde então, tornou-se tradição entre fãs, músicos e produtores culturais do país.

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Mais de quatro décadas depois, o gênero continua se reinventando. Se antes ocupava as rádios e grandes emissoras de televisão, hoje encontra força nos festivais independentes, nas casas de shows, nos coletivos culturais e na internet, onde novas bandas conquistam espaço sem abrir mão da essência que tornou o rock um dos movimentos culturais mais importantes da história.

Engana-se quem acredita que os grandes centros concentram toda a força do rock brasileiro. Na Região Norte, especialmente no Pará, a cena permanece ativa graças ao trabalho de produtores, músicos, coletivos e espaços culturais que mantêm viva uma programação intensa durante todo o ano.

Quando se fala em rock no Norte do Brasil, é impossível não destacar o Pará. Muito antes de grandes turnês internacionais chegarem à Amazônia, o estado já escrevia um capítulo importante na história do rock nacional.

Foi em Belém que surgiu a Stress, formada em 1974 e reconhecida como uma das pioneiras do heavy metal brasileiro, responsável pelo lançamento de um dos primeiros álbuns do gênero no país. A banda abriu caminho para que diversas gerações de músicos paraenses construíssem uma cena forte, criativa e respeitada nacionalmente.

Banda Stress/ foto Divulgação

Nas décadas seguintes, o Pará revelou grupos que se tornaram referência dentro e fora da Amazônia. Entre eles estão a Delinquentes, fundada em 1985 e uma das bandas mais longevas do hardcore brasileiro, com letras de protesto, turnês nacionais e recentemente Internacionais com uma trajetória marcada pela resistência da cena independente.

Banda Delinquentes/foto João Barros

Outro nome de destaque é a Madame Saatan, criada em 2003. Liderada por Sammliz, a banda conquistou projeção nacional ao unir heavy metal, hardcore e thrash metal a elementos da cultura amazônica, como o carimbó, o lundu e a guitarrada, levando a identidade paraense aos principais festivais independentes do Brasil.

Banda Madame Satã/ foto Divulgação

A renovação da cena segue acontecendo com bandas autorais que mantêm o rock amazônico em constante movimento. A Morfina Punk mistura punk rock, grunge e influências regionais em letras de forte conteúdo social e lançou recentemente um novo EP, reforçando seu protagonismo na música independente paraense.

Banda Morfina Punk/foto woltaire Masaki

Ao lado delas, nomes como Molho Negro,Norman Bates, Suzana Flag, Ato Abusivo, Retaliatory, Anubis, Warpath, Time Lord, Screams of Hate, Mísero, Disgrace and Terror, Baixo Calão, Baby Loyds, The Baudelaires, Escárnio, Rennegados, A Red Nightmare, Thunder Spell e tantos outros ajudaram e continuam ajudando a consolidar o Pará como um dos estados mais importantes da música pesada e do rock autoral brasileiro.

Essa produção ganha força por meio de festivais que se tornaram referência na Região Norte, como o Rock na Proa, em Abaetetuba, que chega à sua nona edição valorizando exclusivamente a música autoral; o tradicional Porthell Metal Fest, em Portel, há mais de duas décadas fortalecendo o metal na Amazônia; o Studio Pub Rock Festival, em Belém; além do Se Rasgum, um dos maiores festivais de música independente do país, que também abriu espaço para diversas bandas de rock paraenses ao longo de sua história.

O rock sobrevive porque existe uma comunidade disposta a fazê-lo acontecer. Cada ingresso comprado, camiseta adquirida, matéria compartilhada, banda autoral ou show realizado fortalece uma cena construída de forma independente. É essa união que mantém acesa uma cultura baseada na criatividade, na diversidade e na liberdade de expressão.

Neste Dia Mundial do Rock, celebrar o gênero também é reconhecer quem faz essa história acontecer diariamente, especialmente longe dos grandes holofotes.

Enquanto houver uma guitarra ligada, um palco montado, uma garagem ensaiando ou um público disposto a cantar junto, o rock continuará vivo. 🤘🎸

Jornalista
Jornalista apaixonada por música, cultura e comunicação, une experiência institucional e olhar estratégico para transformar informação em conexão.