junho 24, 2026
Música

V Festival de Pássaros e Bichos do Pará: o “multiverso” místico amazônico gratuito em Belém

Grupo de teatro popular Pássaro Urubu com fantasias coloridas e maracas, prontos para apresentação em Belém.
Brincantes do Pássaro Urubu preparam espetáculo que une tradição ancestral e ritmos afro-indígenas no Theatro da Paz. Foto/Divulgação

O V Festival de Pássaros e Bichos do Pará acontece entre 26 e 30 de junho no Theatro da Paz, reunindo 23 grupos em uma mostra gratuita que une misticismo, crítica social e resistência cultural.

O Festival de Pássaros e Bichos do Pará transforma o Theatro da Paz em um portal para a ancestralidade amazônica entre os dias 26 e 30 de junho. Em sua quinta edição, o evento gratuito, idealizado por Laurene Ataíde, apresenta 23 grupos que misturam teatro popular, misticismo e denúncias sociais. O festival é um manifesto de sobrevivência de artistas que mantêm viva a tradição dos “seres encantados” mesmo diante de desafios financeiros.

Foto/Divulgação

O Festival de Pássaros e Bichos do Pará não é apenas o imaginário; é uma narrativa complexa de deuses e homens lutando por território e memória no coração de Belém.

A quinta edição do festival será marcada pela homenagem à Guardiã Julieta Malcher (in memoriam), do Cordão de Pássaro Rouxinol. O Theatro da Paz servirá de ninho para 23 grupos, incluindo figuras icônicas como a Oncinha e o Bacu de Icoaraci. A direção de Laurene Ataíde, do Colibri do Outeiro, garante uma curadoria que foca na “sabedoria popular” e em histórias que unem encantamento e costumes do povo amazônida.

A “Lenda” do Pássaro Urubu Um dos destaques mais aguardados é a apresentação do Cordão de Pássaro Urubu no dia 28 de junho, às 11h. A dramaturgia, intitulada “Pelos Olhos do Pássaro”, revela um arco narrativo digno de uma peça épica: uma criança da etnia Pacajá presencia um massacre colonial e, para sobreviver, é encantada em forma de pássaro por sua avó pajé. Esse “encantado” é o Urubu, ave que guiava seus ancestrais e que agora enfrenta “vilões” modernos, como devastadores e poluidores.

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A comunidade artística e o público local têm demonstrado uma rede de apoio emocionante. Como o evento não conseguiu captar patrocínio para infraestrutura e cachês, os grupos estão se autogestionando em nome da “sobrevivência dos seres encantados”. Nas redes sociais, o festival é visto como um ato de resiliência e amor pela arte brincante, atraindo olhares de quem busca uma cultura genuína e desconectada do óbvio comercial.

Diferente das produções de massa, o espetáculo do Pássaro Urubu utiliza composições autorais de carimbó, xote bragantino, lundu e brega para contar sua história. Esse “jeito popular de lutar” influencia diretamente a música e o teatro contemporâneo paraense, servindo como base de aprendizado para crianças e jovens do bairro do Fidélis, na Ilha de Caratateua, que compõem a Batucada do Urubu.

O festival é um convite aberto para famílias e pesquisadores da arte amazônica. Com entrada gratuita, o evento desafia o espectador a ver a Amazônia não como um cenário estático, mas como um campo de batalha cultural onde o Pássaro Urubu e outros seres lutam para permanecer vivos.

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O Festival de Pássaros e Bichos do Pará prova que a cultura popular brasileira é vasta e profunda. Entre o drama e a alegria, o palco do Theatro da Paz se prepara para mostrar que, no Pará, as histórias não terminam; elas se encantam e voltam para lutar por justiça e beleza.

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26
JUN
Gratuito
  • 📅 Data: 26 a 30 de junho de 2026
  • 📍 Local: Theatro da Paz, Belém / PA
  • 🕒 Horário: 18:30h
  • 🎟️ Contato

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Editor
Emerson Coe é jornalista e editor do HQPOP, portal especializado em cultura pop, quadrinhos, literatura, cinema e entretenimento. Atua na produção de reportagens, entrevistas e análises sobre o universo geek e a indústria cultural.

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