Integrada ao Circuito Amazônico, a Feira Roraimense de Quadrinhos desafia o eixo tradicional e consolida a produção autoral fora do mercado.
O Norte traça sua rota: a 5ª Feira Roraimense de Quadrinhos e o desafio da descentralização
Historicamente, o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos viciou-se em olhar para o próprio umbigo, limitando seu horizonte ao eixo Rio/São Paulo. No entanto, o que se observa nas margens geográficas do país é uma efervescência que ignora a suposta “periferia” editorial para construir um centro próprio. Essa movimentação não é apenas um fenômeno de consumo, mas um manifesto de identidade que ganha corpo.

Neste sábado, 4 de abril, e amanhã, 5 de abril, Boa Vista torna-se o centro dessa transformação com a abertura da 5ª Feira Roraimense de Quadrinhos. O evento ocupa o Roraima Garden Shopping a partir das 10h, oferecendo uma programação que vai muito além da simples exposição de produtos, focando em palestras, oficinas e o vital intercâmbio entre criadores.
O coordenador do evento, Rhafa Porto, enfatiza que o público encontrará uma experiência completa, pautada na valorização das obras autorais produzidas tanto em Roraima quanto em outras regiões. Esta edição carrega um peso institucional maior ao integrar o Circuito Amazônico de Quadrinhos, uma rede que conecta sete cidades incluindo Manaus, Belém, Parintins, Palmas e Macapá para fortalecer a circulação de artistas e narrativas da Amazônia.
A relevância da 5ª Feira Roraimense de Quadrinhos reside na sua capacidade de atuar como uma engrenagem de visibilidade. Ao exigir que os artistas participantes possuam ao menos uma obra autoral publicada, o evento eleva a barra para o profissionalismo consciente. Mais do que entretenimento, a feira posiciona as HQs como ferramenta pedagógica e de inclusão cultural, inserindo a produção local em um cenário de competitividade nacional.
O que assistimos em Boa Vista é o amadurecimento de um ecossistema. A integração ao Circuito Amazônico não é apenas uma estratégia logística, mas um posicionamento estratégico: a Amazônia não quer apenas ser lida, ela quer ditar os termos da sua própria representação gráfica. Ao descentralizar o mercado, a 5ª Feira Roraimense de Quadrinhos questiona a hegemonia das grandes editoras e prova que a inovação narrativa, hoje, fala com sotaque do Norte.
Este movimento sugere um desdobramento futuro inevitável: a consolidação de um “mercado amazônico” o apoio de entidades como o Norte em Quadrinhos e a
Escola de Desenho Roraima demonstra que há uma base educacional pavimentando esse caminho.

Serviço: Evento:
5ª Feira Roraimense de Quadrinhos
Data: 4 e 5 de abril de 2026
Local: Roraima Garden Shopping, Boa Vista (RR)
Horário: Sábado das 10h às 22h; Domingo das 14h às 21h
Entrada: Gratuita