junho 20, 2026
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Manaus 2026: a nova fronteira do Quadrinho Nacional

A Tanimbuca como símbolo: o cartaz oficial de 2026 une memória ambiental e resistência gráfica no coração da Amazônia. Imagem/Reprodução

Com o início do Circuito Amazônico, Manaus reúne 70 artistas e projeta o Norte como polo essencial da narrativa gráfica brasileira.

A raiz do traço e o despertar de um eixo editorial

A imagem da Tanimbuca, árvore centenária do Bosque da Ciência do INPA que ilustra o cartaz da Semana do Quadrinho Nacional Manaus 2026, não é uma escolha meramente estética. Ela simboliza o enraizamento de uma produção que, por décadas, foi vista como periférica, mas que agora reivindica o centro do debate. No dia 27 de março de 2026, a capital amazonense não apenas iniciou um evento, mas deu o início da segunda edição do Circuito Amazônico de Quadrinhos, consolidando um itinerário cultural que percorrerá seis estados da região.

Uma ocupação em dois eixos

Mirante Lúcia Almeida foi palco do início do Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026. Foto/Leonardo Dressant.

Entre os dias 27 e 29 de março, Manaus tornou-se o epicentro dos quadrinhos no Norte. A programação, organizada pela Nona Arte Produtora, dividiu-se entre a formação técnica e a interação pública. Na Biblioteca Pública do Amazonas, o foco foi a capacitação através de oficinas gratuitas, enquanto o Mirante Lúcia Almeida, no marco zero da cidade, serviu como palco para a famosa “Beco dos Artistas”, feiras e intervenções coletivas.

Para a jornalista Gabriela Güllich que participa pela primeira vez do evento, teve a oportunidade de encontrar um público novo “Parece até o encontro das águas”. Afirma.

Com a participação de mais de 70 artistas vindos de 15 estados e do Distrito Federal, o evento projetou receber entre 10 mil e 15 mil visitantes, democratizando o acesso com entrada totalmente gratuita.

Artista de Parintins Luis Gama depois de um hiato de 4 anos lança seu quadrinho novo no evento.

Aprender com quem faz

Diferente de convenções voltadas apenas para o consumo, a Semana do Quadrinho em Manaus priorizou a imersão técnica. O currículo de oficinas foi abrangente:

  • Sexta-feira (27/03): Roteiro com Helena Cunha, criação de personagens com Monge Han e coloração com Raquel Teixeira.
  • Sábado (28/03): Narrativa para mangás com Max Andrade, jornalismo em quadrinhos com Gabriela Gullich e cenários com Leon Sarmiento.
  • Domingo (29/03): Desenho com Questo, criação de HQs com Romahs Mascarenhas e tirinhas com Geovan Motter.

Além dos locais, convidados como João Vicente, Levi Gama e Leo Dressant trouxeram a perspectiva paraense para o intercâmbio regional.

O “Passaporte” para a visibilidade

Uma das inovações de 2026 foi o Passaporte Cultural. Distribuído gratuitamente, o material incentivou o público a visitar pontos turísticos e restaurantes parceiros, colecionando carimbos em troca de prêmios. Essa estratégia retira o quadrinho da “bolha” e o integra à economia e ao turismo local, tratando a cultura pop como um ativo de desenvolvimento regional.

Além do cenário, o protagonismo

A 8ª Semana do Quadrinho Nacional de Manaus e o Circuito Amazônico representam um amadurecimento político da classe artística do Norte. Por muito tempo, a Amazônia serviu apenas como cenário exótico para heróis estrangeiros ou do Sudeste. O que vemos agora, através do esforço da Nona Arte Produtora e do Circuito, é a construção de uma infraestrutura editorial própria.

O fato de o Circuito prever paradas em Boa Vista, Parintins, Belém, Palmas e Macapá entre março e maio demonstra uma visão de rede. Não se trata mais de eventos isolados, mas de um corredor cultural que prepara o terreno para grandes nomes como Sidney Gusman e Hugo Canuto, que integrarão etapas posteriores da tour.

O sucesso de Manaus sinaliza que o mercado independente encontrou no Norte um público ávido e uma organização profissional capaz de rivalizar com grandes centros. O desdobramento natural será o aumento do interesse de grandes editoras por talentos locais, que agora possuem não apenas o traço, mas espaços consolidados de debate e escoamento de suas obras.

Se a Amazônia agora narra suas próprias histórias em quadrinhos, até quando o mercado nacional continuará olhando para o Norte apenas como uma “pauta de preservação” e não como um celeiro de inovação estética?

O debate segue vivo nas próximas paradas do Circuito:

  • Boa Vista (RR): 04 e 05 de abril.
  • Parintins (AM): 10 e 11 de abril.
  • Belém (PA): 15 a 18 de abril.
  • Palmas (TO): 24 e 25 de abril.
  • Macapá (AP): 02 e 03 de maio.

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Editor
Emerson Coe é editor do portal HQPOP, especializado em quadrinhos, cultura pop e entretenimento.

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