Descubra as obras que desafiam o eixo Rio-SP e trazem a potência da Amazônia para o centro do mercado editorial brasileiro na 12ª Semana do Quadrinho.
Instalado na Praça do Povo da Fundação Cultural do Pará (Centur), o espaço é o pulmão do Circuito Amazônico de Quadrinhos 2026, conectando o público a mais de 40 talentos de nove estados brasileiros.

Diferente de grandes feiras comerciais, o Beco foca na descentralização e no intercâmbio direto. Como define o organizador Andrei Miralha, essa convergência de artistas do Norte com nomes nacionais promove uma troca inédita, fortalecendo a cena editorial fora do eixo tradicional.
Lançamentos: Identidade e Resistência no Traço
O grande diferencial desta edição é a maturidade das obras apresentadas. Selecionamos os lançamentos que você não pode deixar passar:

Arumix (Coletivo Traço Norte): Uma antologia que é puro manifesto. Reunindo vozes amazônicas com o convidado ELTHZ, a obra desafia a lógica de mercado e reafirma a potência narrativa da região.

Sagrado (Thai): A artista amapaense traz uma reflexão sensível sobre saúde mental e a conexão visceral entre o cuidado pessoal e a preservação do território.

Desvios Transtornantes (Luana Cristini): Obra autobiográfica premiada que utiliza o quadrinho como ferramenta de resistência contra a violência transfóbica.

Bendita Cura – Edição Definitiva (Mário César): Um mergulho necessário nos desafios de crescer LGBTQIA+ em uma sociedade que tenta impor “curas” para a identidade.

São Paulo dos Mortos Vol. 5 (Daniel Esteves): O retorno da aclamada série que imagina o fim do mundo sob uma ótica urbana e visceral.
Intercâmbio cultural e profissionalismo

A presença de nomes como Carol Ito, que traz sua interpretação visual de Tom Jobim e Chico Buarque em Bossa Nova, e Helô D’Angelo, com a reinvenção de Pipa – Voo, demonstra que Belém tornou-se parada obrigatória para a elite do quadrinho nacional.

Para quem busca mais que apenas comprar revistas, o Beco oferece a chance de vivenciar sessões de autógrafos e o Desafio dos Quadrinhos com o Coletivo Serendi. É o momento em que a nona arte deixa de ser apenas leitura para se tornar uma experiência coletiva de identidade e cosmologia.

A programação segue até sábado com o Beco dos Artistas aberto das 10h às 20h, culminando em shows que celebram a cultura nortista. Se você quer entender para onde o quadrinho brasileiro está caminhando, o mapa aponta para o Norte.
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